Melhores do ano

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Sereia Louca – Capicua
Num disco dedicado às mulheres, Capicua volta a não ter medo de usar essa potente arma que é a palavra. O canto da sereia é triunfante.

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#batequebate – D’ALVA
Pop sem rodeios, com energia e sentimento qb. Um disco que fez valer a espera e soube corresponder à expectativa.

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How Can We Be Joyful In a World Full Of Knowledge – Bruno Pernadas
Uma viagem algo experimentalista que nos agarra do princípio ao fim e nos faz querer ouvir e ouvir outra vez.

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Crónicas da Cidade Grande – Miguel Araújo
Depois do sucesso confirmado, fazer um disco conceptual pose parecer suicida, mas Miguel Araújo e a sua capacidade de contar histórias em forma de canções é a prova de que arriscar ainda vale a pena.

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Playland – Johnny Marr
Pouco mais de um ano depois da estreia a solo, o ex-Smiths (e tantos outros) abraça o seu passado musical e volta com mais um punhado de belas canções.

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Education Education Education & War – Kaiser Chiefs
Já poucos davam algo pelos Kaiser Chiefs mas o quinteto de Leeds, mesmo tendo perdido o seu baterista e principal compositor, arregaçou as mangas e pôs cá fora a prova de que não nos vamos esquecer deles tão cedo.

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Diabo na Cruz – Diabo na Cruz
O diabo voltou mais seguro de si mesmo e com vontade de dançar. Quem esteja à espera de algo mais que grandes canções vai sair desiludido.

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Songs Of Innocence – U2
Há regressos e regressos, e o que afectou a forma não pose deturpar o conteúdo. Há muito que os U2 não nos davam um disco tão bom.

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48:13 – Kasabian
Quem disse que a guitar music tinha morrido? Os bons rapazes de Leicester têm um senhor disco para acabar com as dúvidas.

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Bill Bruisers – The New Pornographers
Regresso em grande de uns Pornographers mais elétricos, mas sempre a fabricar belas canções pop.

Texto porto Teresa Colaço.

Melhores do ano

dias

Falar dos meus álbuns favoritos de 2014 não é justiça que se faça em poucas linhas, mas vale a pena tentar. Eis o meu top 10:

10º Beck- Morning Phase: Uma posição que se justifica pela sua descoberta tardia. Uma viagem de 47 minutos pelos meandros da existência humana, da vontade perene que temos em apagar os erros, redimirmo-nos do passado e começar do zero. Para mim não há álbum mais fluído e tão melodicamente belo em 2014 como este.

9º SOHN- Tremors: Uma pitada de James Blake, outra de Jamie Woon e um quê de How to Dress Well fazem da estreia de SOHN uma obra não totalmente singular mas arrebatadora na forma como conjuga atmosferas electrónicas com tempero de mágoa e sentimento soul. O concerto do NOS Alive contribuiu para que se entranhasse em mim de vez.

8º Tinashe- Aquarius: Outra fantástica estreia, desta feita nos domínios do R&B, que funde linguagens mainstream com uma visão mais vanguardista do género. Muito provavelmente, a primeira estrela R&B pós-MTV a deixar-me completamente rendido a si.

7º Sia- 1000 Forms of Fear: Ninguém fez pop tão boa este ano quanto esta senhora. É um triunfo do génio que permanece sempre na sombra e que em 2014 fez as coisas à sua maneira, deixando que a arte falasse por si. O medo é o catalisador de um álbum visceral que nunca condiciona, apenas a liberta para o infinito e mais além.

6º Glass Animals- Zaba: Os aliens do ano que toda a gente se tem esquecido de mencionar. Zaba é uma autêntica viagem às profundezas da selva que nunca nenhum nativo havia ousado explorar, até ao dia em que 4 magricelas de Oxford a atravessam numa bizarra jornada de pop psicadélica, R&B e electrónica evasiva. O diamante exótico de 2014.

5º Lana Del Rey- Ultraviolence: O tempo tem-me ensinado a apreciar a música de Lana Del Rey. Detestei Born to Die, engraçei com o Paradise EP e fiquei pelo beicinho com este Ultraviolence, histórias de amor, desamor e desejo em tons monocromáticos, que a meu ver beneficia muito da visão que Dan Auerbach, o senhor ‘Tecla Negra’, teve para com ele.

4º Azealia Banks- Broke with Expensive Taste: Possivelmente o disco de estreia mais conturbado da última década, que não sobreviveu ao hype mas viu cumpridas todas as promessas feitas durante o tempo de maturação. São 60 loucos e desafiantes minutos sem filtros líricos ou sónicos que me apanharam com a força de um terramoto.

3º La Roux- Trouble in Paradise: Apenas Elly Jackson me fez esperar mais do que Azealia: 5 anos que pareceram uma vida mas que fizeram valer cada segundo da espera. Agora a solo, com look vintage, franja escadeada, balanço disco e sensualidade que se confunde com classe, La Roux construiu um resort com vista para o paraíso e deixou que a brisa dos trópicos levasse na corrente uma série de dilemas pessoais. Voltaria a esperar outros 5 anos por um disco assim.

2º Bombay Bicycle Club- So Long, See You Tomorrow: Nunca antes havia mergulhado de forma tão majestosamente bela num disco dos BBC. Este seu 4º trabalho de estúdio nasce de uma série de viagens que o vocalista fez pelo mundo fora e que acabam por ter um enorme impacto na metamorfose artística do grupo, mais aberto a sons e intrumentos dos quatro cantos do planeta. Um espírito livre, harmonioso e indomável que me deixa sempre tão feliz.

1º Foster the People- Supermodel: Este disco fala-me ao coração como nenhum outro falou em 2014. Oiço-o e revejo-me inteiramente quer nas letras quer na paleta sonora que Foster-mor e sus muchachos escolheram para ilustrar as canções, à primeira audição não tão inescapáveis quanto a fabulosa estreia, mas mais orgânicas e substanciais. E é isso, gosto mesmo muito dele.

Sem me querer alongar muito mais, no campo nacional destaco três álbuns que me encheram as medidas: Sereia Louca de Capicua, o triunfo do rap no feminino, Pesar o Sol dos Capitão Fausto, o rugido de leão dos pontas de lança do novo rock cantado em português, e Cornerstone dos Brass Wires Orchestra, que inaugura um entusiasmante capítulo na história da folk nacional.

Texto: Gonçalo Dias

Mayra Andrade – Ilha de Santiago

Bem-vindos à Ilha de Santiago. É nesse espírito de hospitalidade, amizade e generosidade que a música da cantora cabo-verdiana Mayra Andrade decorre. “Ilha de Santiago” é uma das faixas de seu último álbum, “Lovely Difficult”, e apresenta o sítio em que foi criada e que passou boa parte de sua vida. Localizada no arquipélago de Cabo Verde, é de lá que vêm alguns dos mais importantes músicos cabo-verdianos. Embora viva atualmente na França, a cantora, claramente, sente saudade dos momentos em que viveu no país africano em questão. Essa é uma daquelas músicas com a qual muitos emigrantes irão se identificar. Por mais que as pessoas saiam do seu país ou cidade em que foram criadas, um pedaço daquele lugar sempre fica neles. E é exatamente disto que fala Mayra em “Ilha de Santiago”.
“Este clip é a minha homenagem aos músicos da ilha de Santiago mas também à genuinidade, à benevolência e à esperança que caraterizam o povo cabo-verdiano. Guardo em mim a lembrança destes dias a percorrer a minha ilha, levada por uma imensa ternura”, explica Mayra.

Texto: Mayra Russo

“They don’t care about us” de Michael Jackson

“They don’t care about us” é a 4ª música lançada por Michael Jackson em 1995, fazendo parte do álbum “HIStory”. Esta música gerou muita polémica assim que foi lançada, pois segundo vários jornais, o Rei da Pop foi acusado de fazer antissemitismo com a letra da música. Michael chegou à frente e esclareceu que esta não foi intenção do mesmo, muito menos magoar ninguém. Portanto, regravou a música e a mesma tornou-se num hino contra as injustiças sociais. “They Don’t Care About Us” é muito diferente de todo o estilo musical de Michael, pois a música tem batidas de Reggae e Hip Hop.

Escolhi esta música para Música do Dia pelos motivos acima mencionados e porque o Rei da Pop sempre será recordado desta forma: um grande homem, um grande artista, um grande ícone para o mundo musical e não só, e na minha opinião é uma das melhores músicas de Michael Jackson.

“Beat me, hate me
You can never break me
Will me, thrill me
You can never kill me

Judge me, sue me
Everybody do me
Kick me, kike me
Don’t you black or white me

All I wanna say is that
They don’t really care about us”

Texto: Laura Pinheiro

Bastille- VS. (Other People’s Heartache Pt. III)

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A brincadeira remonta aos primórdios da banda. Antes de existir Bad Blood, os Bastille dedicavam-se à criação de mixtapes – experiências de laboratório, leia-se – que ousaram designar de Other People’s Heartache. Os primeiros dois capítulos foram lançados no decorrer de 2012 e deram-nos pérolas como “Requiem for Blue Jeans”, “Of the Night” – entretanto recuperada na reedição do álbum de estreia – ou “No Angels” com Ella Eyre, favorita dos fãs em concerto.

A aventura conhece agora um terceiro volume, desta feita sem recurso a recriações alheias mas com o espírito de partilha (se bem que o VS. dá assim um certo ar competitivo à coisa) de outrora. A intenção é deixar os fãs entretidos enquanto o novo disco de originais não chega e, claro está, desviarem-se um pouco da norma. E este é, sem dúvida, o formato certo para o fazer.

“Fall Into Your Warms” é a prequela fugaz do vindouro “Weapons”, um bonito momento orquestral cortesia do The Gemma Sharples Quartet; “Bite Down” é um dos pontos altos do registo, com a indietronica do quarteto britânico a fundir-se à pop rock ritmada das manas Haim – tem potencial para se vir a tornar numa futura “No Angels” e, quiçá, para escalar a Hot 100. Ao virar da esquina reencontramos “bad_news”, apresentada como lado B de “Oblivion”, e que aqui recebe um desanimador contributo de MNEK, que bem tenta injectar algum soul na produção electrónica do grupo, mas sem sucesso. É o parceiro errado na canção certa. Segue-se “The Driver” a conservar o embalo épico do registo de estreia mas a desbravar caminho em terrenos de folk/blues, com a guitarra em modo faroeste.

Em “Axe to Grind” acontece o primeiro escorregão. Parece ser uma tentativa falhada de fazer club music com rap (muito duvidoso) de permeio, mas que nem incentivaria o mais desesperado dos noctívagos a utilizá-la como método para atrair atenções na pista de dança – merece ir directamente para o baú de tesourinhos deprimentes. Felizmente que à espreita está o efusivo “Torn Apart”, que nasce da mesma costela eurodance via 90’s que “Of the Night” e facilmente passava pelo single de apresentação do 2º álbum.

A mesma canção tem direito a um interessante posfácio que desemboca numa rave house e que conta com um breve mas explosivo rap feminino de Lizzo a fazer lembrar a controversa Azealia Banks; “Weapon” destina-se a franzir sobrancelhas pelo arrojo com que foi construída: Dan Smith e companhia à solta num electro rap – cortesia de Angel Haze – percussivo que entretanto segue para uma secção de PBR&B com Braque a fazer a sua melhor impersonação de Miguel. Pode ser altamente contestável, mas eu cá acho que é uma das melhores coisas que já fizeram até hoje. A fechar a mixtape temos “Remains”, com uma interessante repartição do microfone entre Dan Smith, Rag N Bone Man – novamente a dar aquela atmosfera blues – e uma irrepreensível Skin dos Skunk Anansie, a tornar completamente sua e da banda uma canção que começou por ser o “Things We Lost in the Fire 2.0” dos Bastille.

Ora aqui está uma bela mixtape: não aponta necessariamente caminho para o álbum que há-de vir, mas vê o quarteto britânico a expandir a sua formação e a alargar o seu lote de influências, o que se pode vir a revelar útil no momento de tomarem decisões mais expeditas no próximo LP.

Texto: Gonçalo Dias

Resurrection Fest 2015

ressurection

O Resurrection Fest é um festival de música que se realiza no norte de Espanha, em Viveiro (Galiza). Dedicado ao punk, hardcore e metal, em 2015 festeja o seu 10º aniversário.

Já confirmados estavam Motorhead, In Flames, Heaven Shall Burn, Behemoth, entre outros.

A organização quis dar aos seus fãs uma prenda de Natal antecipada e esta manhã, nas redes sociais do festival como Twitter e Faceboock, foram surgindo, a conta-gotas, bandas que farão parte da 10ª edição do festival.

Ao todo foram anunciadas 39 bandas, pode ver a lista aqui:

KORN

REFUSED

BLACK LABEL SOCIETY

FEAR FACTORY

BACKYARD BABIES

SATANIC SURFERS

CHILDREN OF BODOM

7SECONDS

COMEBACK KID

CANNIBAL CORPSE

KADAVAR

DIRTY ROTTEN IMBECILES (D.R.I.)

PERIPHERY

DARKEST HOUR

ANTI-NOWHERE LEAGUE

TOXIC HOLOCAUST

POISON IDEA

CHELSEA GRIN

DEATH BY STEREO

IRON REAGAN

NE OBLIVISCARIS

MERAUDER

NO TURNING BACK

MONUMENTS

EXPIRE

SYBERIA

DAGOBA

NASTY

GET DEAD

ANESTESIA

INTOLERANCE

BASTARDS ON PARADE

MORE THAN LIFE

RISK IT

DAWN OF THE MAYA

APHONNIC

JARDÍN DE LA CROIX

PROVIDENCE

ADRENALIZED

Texto: João Alves

Buraka Som Sistema faz o último concerto do ano

Buraka Som Sistema - Casino Lisboa

Em plena segunda-feira, 15, o Casino Lisboa, por volta das 22h, estava entupido de gente. Já não havia mais espaço para sequer tentar passar pelo espaço Arena Live. Às 22h30, era a hora do Buraka Som Sistema entrar em palco e, pelos vistos, ninguém queria perder o último concerto do grupo em 2014. À tarde, na preparação para o que viria a acontecer à noite, MAYRA RUSSO foi ao casino após o ensaio dos Buraka e conversou com o baterista RIOT.

A primeira vez que se apresentaram foi no Clube Mercado, em 2006. Daqui a menos de dois anos farão uma década de Buraka. Têm algum projeto planeado para comemorar esta data?

A vida dos Buraka Som Sistema é sempre muito movimentada. Não só pelo grupo, mas também pelos nossos projetos a solo. Dá-nos mais trabalho pensarmos com tanto tempo de antecedência. Não conseguimos. Mas temos noção que vem aí e que temos que festejar em grande.

A Buraka saiu em um dos jornais mais aclamados do mundo, o New York Times. Como tem sido o feedback dos americanos em relação à vossa música?

Contactámos com o público americano já faz uns anitos. Fomos ao Coachella, a um monte de festivais, não só nos Estados Unidos como também no Canadá. A reação americana, tanto nos EUA quanto no Canadá, é sempre boa. Mas penso que eles conhecem um ou dois sons, e enquanto banda, estão a conhecer a Buraka Som Sistema, agora, um bocadinho melhor.

Ao ver pela segunda vez o vosso documentário reparei que movimentos novos são criados a cada hit para dar um diferencial entre uma nova música e as tantas outras do kuduro. Claramente o kuduro e a dança andam lado a lado. Qual a coreografia, o movimento de uma música de vocês que mais pegou, que o público nos concertos queria imitar?

Olha, não sei. Isso foi, claramente, uma coisa que herdámos do kuduro. Não sou a pessoa indicada para responder isso. Se calhar, a Blaya é capaz de perceber melhor. Eu estou muito preocupado a tocar bateria lá atrás. (risos) Há um movimento básico do dombolo, aquela dança das perninhas do kuduro, acho que é esse o que as pessoas mais tentam fazer.

Outro dia estava a ler um artigo no site da Enchufada que falava sobre o Movimento “Tropical Bass”. Como explicariam esse movimento para quem ainda não o conhece?

Para perceberem essa Global Dance Music ou Tropical Bass Music acho que é tentarem perceber que os jovens de hoje em dia, que fazem música em diferentes partes do mundo, como África, Índia, (pensativo) Nova Iorque, Rio de Janeiro, nos subúrbios, na cidade, em todo lado, todos os jovens que fazem música de dança com influências de seu próprio país acabam por inventar um som novo. Não é bem “world music”, não é tocar conguinhas debaixo de um coqueiro ou uma coisa assim do género, como os avós, e é por isso que as pessoas não lhe chamam de “world music”. Não gostam de comparação. É apenas por isso. Não é que a comparação tenha algo de mal ou que o “world music” tenha algo de mal. É só uma questão de tentar que seja explícito para as pessoas que não vão ouvir o semba ou outro género, vão ouvir uma influência nova, uma mistura de eletrónica com aquilo que eles sempre cresceram, o kuduro. Então Tropical Bass Music acaba por ser com influências desses, nesse caso, sítios mais tropicais, tipo África, Brasil e outros países e continentes do género, que englobem influências do seu país, mas façam música eletrónica. Acaba por ser isso.

Então tem sempre que englobar a música eletrónica?

(pensativo) Ainda não houve ninguém que quebrasse esse estigma, mas se aparecer e funcionar toda a gente vai consumir. O que acontece é que há cada vez mais pessoas interessadas em eletrónica, é um fato. E esse movimento Tropical Bass Music tem se desenvolvido nas discotecas do mundo. Principalmente nas discotecas que tocam música do tipo Buraka, tipo o baile funk (festa típica do funk carioca), tipo tuki (género venezuelano). Não quer dizer que amanhã não apareça uma banda de Tropical Bass Music totalmente acústica.

Músicos e cantores têm tido dois ou mais projetos em pararelo, como é o caso do Fred Ferreira e de vocês mesmos. É para esse lado que a cena musical portuguesa está a caminhar?

Acredito que é para esse lado que a música no mundo está a caminhar. Para quem cresceu nos anos 80 e 90 como eu, em que tínhamos grandes mega bandas, que ainda algumas delas sobreviveram… Acho que isso não vai voltar a acontecer nunca mais. A internet abriu muitas portas e abalou muitos pilares. Trouxeste o exemplo do Fred Ferreira que é um músico que toca com “n” bandas em Portugal e depois ainda tem a Banda do Mar e tocava connosco. Ou seja, eu sou fã do Fred Ferreira. Não sou fã das bandas dele. Sou fã dos projetos que ele escolhe. Cada um que vem é sempre melhor que o outro ou diferente ou mais fresco, e apetece-me logo ouvir as músicas dele. Acho que no futuro, obviamente que vai ter bandas, mas acho que as pessoas vão começar a usar t-shirts de músicos específicos ao invés de bandas. O músico, hoje em dia, tem que ser multitasking.

Então acaba que os outros integrantes da banda, além do vocalista, também vão ter os seus momentos de estrela. Porque, numa banda, o vocalista sempre sobressai.

Sim, espero que isso seja uma tendência a morrer cada vez mais.

É muito injusto com os outros…

Sim, muito injusto. Mas é compreensível porque é a pessoa que está a utilizar o instrumento que toda a gente melhor entende, que é a voz. E acaba por ser quase impossível, é uma luta impossível. Mas acho que num mundo onde nós nos inventámos, na música eletrónica, muitas vezes o vocalista acaba por ser um pouco secundário para Dj set e tocar em discotecas. E aí é que é a vingança do músico, eu acho. (risos)

Em 2014 vocês fizeram uma digressão internacional, lançaram um álbum novo, ganharam um prémio como Melhor Actuação Ao Vivo de um artista nacional e hoje fazem o último concerto do ano. O que este ano representou para o Buraka Som Sistema?

(pensativo) Representou muito trabalho e muita felicidade por termos trabalhado neste álbum e por termos conseguido algo do qual estamos muito orgulhosos. É um álbum que finalmente conseguimos ouvir e indentificar o nosso som. “Isso é afro beat, é kuduro… Não, é Buraka”. E é exatamente por isso que lhe chamámos só de “Buraka”, porque conseguimos encontrar, ao fim de oito anos, o nosso género de fazer música e que é impossível eu fazer sozinho, o Branko fazer sozinho, o Conductor fazer sozinho. Só quando estamos juntos é que isso acontece. Estamos muito orgulhosos dessa fase na nossa vida porque é o culminar dos Buraka Som Sistema no que diz respeito à produção musical. Nós conseguimos fazer música do tipo “ah, isso é mesmo Buraka Som Sistema, não é uma banda qualquer”.

Toda a gente já é capaz de perceber logo que é um som de vocês.

Penso que sim. Por isso é que também de 30 e tal músicas que tínhamos feito, saíram dez. Aquelas dez são as dez perfeitas. Às vezes apetece pôr mais e mais… Mas não. Vão só estas. Depois logo se vê as outras.