Um Dia Após o Outro – Tiago Iorc

Em dia de início do festival Vodafone Mexefest, a música escolhida para aproveitar o começo do fim de semana é “Um Dia Após o Outro”, uma das poucas faixas em português do cantor brasileiro Tiago Iorc, que apresenta-se amanhã, 29, na Sociedade de Geografia de Lisboa.

É uma canção que faz parte do seu último álbum, chamado “Zeski”, e reflete a correria da vida, alertando às pessoas da paciência que deve-se ter no dia-a-dia e que não existe “nada melhor do que um dia após o outro”.

Boa sexta-feira e bom festival aos que forem!

Texto por Mayra Russo

Fado no Mercado da Ribeira

Camané em apresentação no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Camané e David Fonseca em apresentação no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Três anos depois da elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade, e no dia em que se soube que o Cante Alentejano tinha recebido a mesma distinção, uma das mais bem-sucedidas fadistas da nova geração, e talvez o seu ponto de partida, Mariza, foi escolhida para transformar o “novo” Mercado da Ribeira, em Lisboa, numa casa de fados.

Os concertos arrancaram ontem com Camané, tendo como convidado David Fonseca. Continua hoje com António Zambujo, juntamente com os Virgem Suta, e amanhã será a vez da própria Mariza subir ao palco, tendo como convidados Miguel Gameiro e Jorge Fernando.

Em mais uma noite de temporal, isso não foi impedimento para que centenas de pessoas se deslocassem ao renovado Mercado da Ribeira para assistir ao concerto de um dos fadistas mais importantes e talentosos da nova geração deste género musical, que é sem dúvida uma das “bandeiras” de Portugal.

Acompanhado de uma guitarra, um contrabaixo, que dá um certo toque jazzístico ao instrumental que acompanha Camané, e uma guitarra portuguesa, o cantor deu um excelente concerto, revelando todo o seu potencial vocal. Como convidado, o fadista escolheu David Fonseca, que se aventurou pelos caminhos do fado, e que apesar de não ser a sua praia até se portou à altura, mas que também levou Camané a aventurar-se no seu universo, o que também resultou da melhor forma.

Foi uma noite memorável, que deixou a plateia ao rubro e mais uma vez convencida de que Camané é sem dúvida um dos principais símbolos do Fado.

Texto por João Catarino

“Hurricane” por Scorpions & Berliner Philarmoniker Orchestra

Se há um momento em que dois mundos diferentes se deveriam juntar, fazer as pazes e fazer magia, é este. E esse momento chegou para ficar.

Escolhi a música “Hurricane” porque é uma das minhas músicas favoritas. O arranjo orquestral é absolutamente fantástico. É incrível ver e ouvir como a orquestra assume o papel rock dos Scorpions e como a banda assume o papel de uma responsabilidade ainda maior de impressionar a orquestra e a eles próprios.

“Moment of Glory” um álbum perfeito. Resultado de uma dupla extraordinária: Scorpions e a Berliner Philarmoniker Orchestra.

Texto por Laura Pinheiro

Cante alentejano é Património Imaterial da Humanidade

A 27 de Novembro de 2011, Portugal teve o fado eleito como Património Imaterial da Humanidade. Hoje, exatamente três anos depois dessa data, Portugal pode orgulhar-se de ter mais um pedaço da sua cultura na mesma situação.
É um género musical que se caracteriza principalmente pela monotonia, condizente com as paisagens Alentejanas, de onde é originário, principalmente do Baixo Alentejo. Este género surgiu como acompanhamento dos trabalhos de campo, na lavoura, passando também a ser cantado em momentos de celebração, em tabernas, em celebrações religiosas ou ainda como acompanhamento de trabalho doméstico. Depois da segunda guerra mundial, e com o abandono dos campos, em favor das cidades, este género entrou em decaimento, sendo hoje em dia mantido principalmente por grupos oficializados.
No início deste ano foi para o cinema um filme sobre este género musical no Portugal Contemporâneo:
Texto por Rita Silvestre

Orquestra Sinfónica Metropolitana em concerto romântico e contemporâneo

Um dos concertos mais esperados da Temporada Sinfónica 2014/2015, a Orquestra Sinfónica Metropolitana executou a Sinfonia nº4 de Antoin Bruckner, e a “Onze cartas” de António Pinho Vargas, dirigida pelo Maestro Michael Zilm, no passado dia 23 de Novembro no grande auditório do Centro Cultural de Belém.

Foto: Laura Pinheiro

Foto: Laura Pinheiro

A sala do grande auditório do CCB não estava esgotada, mas os presentes com os seus sorrisos e a ansiedade de ver este “grande concerto” enchiam a sala na sua totalidade. Na primeira parte do concerto foi apresentado em palco a obra “Onze Cartas”, de António Pinho Vargas, tendo sido terminada em 2011, e a mesma foi composta como resultado de uma encomenda conjunta do Centro Cultural de Belém, da Casa da Música e do Teatro Nacional de São Carlos. Trata-se de uma peça contemporânea, com grande recurso às percussões, em que a orquestra interage com a audição de três narradores, que leem textos de Italo Calvino, Jorge Luis Borges e Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), em registos pré-gravados, que articulam de forma “extraordinária com as sucessivas texturas” da orquestra. No final da peça, o próprio António Pinho Vargas subiu ao palco, sendo chamado pelo maestro para também ele ser aplaudido de pé.

Depois do intervalo foi-nos servido o “prato forte” deste final de tarde, com a interpretação da Sinfonia n.º 4 em Mi Bemol maior, WAB 104, Romântica, de Anton Bruckner, compositor austríaco do século XIX.

Esta sinfonia, escrita em 1874, é composta por quatro andamentos e foi tocada pela orquestra na sua integridade. É considerada a sinfonia mais famosa deste compositor. Muito influenciado pelo compositor alemão Richard Wagner, Bruckner é das figuras mais desconcertantes da música do seu século. Tal como muitas outras partituras deste compositor, também esta sofreu diversas revisões, tendo-se ouvido no CCB a versão de 1880, que foi a apresentada na sua estreia em 1881. Também se chama “Romântica” porque é inspirada nas “lindíssimas paisagens campestres austríacas”. São várias as alusões à atividade da caça, notórias no terceiro andamento. A sinfonia inicia-se de forma lenta. Segue-se um Andante “de pendor mais nostálgico e bucólico, ao ritmo de uma procissão”. Já no terceiro andamento, “a parte mais conhecida desta sinfonia, a impetuosidade rítmica é pontuada pelos chamamentos da trompa, com as tais alusões à caça”. Por fim, contrariando quaisquer expetativas triunfalistas, predomina uma ambiência soturna e atormentada.

Reveladora do tempo e do local onde nasceu, esta sinfonia, e a forma como foi interpretada, com muitos momentos verdadeiramente “fantásticos”, deixaram o público presente extremamente satisfeito, o que ficou demonstrado no final do concerto com uma enorme, e longa, ovação de pé ao Maestro e a toda a Orquestra.

Como maestro tivemos o Michael Zilm, que não usou qualquer espécie de partitura de apoio durante toda a sinfonia de Bruckner, dirigindo a orquestra com encanto. Nascido em Estugarda em 1957, começou a estudar violino aos seis anos. A partir de1989 manteve uma estreita colaboração com a Orquestra Gulbenkian. Desde a temporada 2005/2006 tem colaborado regularmente com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Esta, estreou-se no dia 20 de junho de 1992 e desde então tem vindo a assegurar uma intensa atividade, caracterizada pela qualidade e versatilidade. Nos programas sinfónicos, jovens intérpretes da Academia Nacional Superior de Orquestra juntam-se à Metropolitana para fazerem música em conjunto.

Texto por João Catarino e Laura Pinheiro

Bonobo – Flashlight EP

O artista britânico Simon Green, que responde por Bonobo ou até mesmo Barakas, como era conhecido no seu início de carreira, tem EP novo que chega às lojas dia 1 de Dezembro pelo selo Ninja Tune.

Flashlight EP é uma viagem entre Mercúrio e Vénus por ser quente. É um misto de samples que por momentos fazem lembrar artistas como Dj Koze ou Burial pela sua complexidade.
Simon vai apresentar esta sua nova obra de arte (e mais um punhado delas) ao vivo no Alexandra Palace, em Londres, dia 28 de Novembro, com transmissão em direto no Boiler Room, a partir das 20:30 (GMT).
Nada melhor que “ouvir para querer”.

“Syro”, de Aphex Twin

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“Existe algo de errado com o meu cérebro! Ele não funciona normalmente! Eu consigo ouvir o mesmo tom em ambos os ouvidos, enquanto para a maioria das pessoas eles diferem substancialmente. É assim que o cérebro trabalha o direcionamento.” – afirma Richard D. James numa entrevista ao site Pitchfork, em que refere também o seu fascínio por tocar em discotecas anonimamente para observar o comportamento do público ou aceitar convites para animar ocasiões especiais em casa de pessoas comuns. Estamos, portanto, na presença de uma personalidade peculiar.

Syro, o seu mais recente lançamento na sua faceta Aphex Twin, vem pôr fim a uma espera de treze anos depois de Drukqs. Nele percebemos que este é dos artistas que não facilitam e chegam para abanar as águas, com sons completamente imprevisíveis e as batidas habituais, em músicas recheadas de pormenores que pedem sempre uma nova audição. Pelo meio traz ainda a família para a conversa, com as suas vozes devidamente alteradas para que, como ele diz também nessa entrevista, só ele perceba aquilo que elas dizem. Uma linguagem única.

Texto por Zé Revés