“You’re So Great”, de Blur

Os Blur têm viagem marcada para Lisboa a 17 de Julho, para o Super Bock Super Rock que se realizará este ano no Parque das Nações.

Os clássicos são vários, desde “Coffee & TV” a “Girls & Boys”, mas sempre apreciei particularmente “You’re So Great”, a sétima faixa de “Blur”, saído em 1997. A voz é do guitarrista Graham Coxon.

Texto por: Zé Revés

“Colossal Youth”, de Young Marble Giants

Para álbum da semana escolhi um que me inspirou nas últimas semanas, pela sua simplicidade, num daqueles casos em que não deve ser confundida com banalidade.

“Colossal Youth” foi lançado em 1980, na fértil altura do Pós-Punk, em que surgiam bandas aos milhares resultantes dos estilhaços deixados pela revolução recente, por uma editora de carácter alternativo chamada Rough Trade, que editou também Pere Ubu e chegou ao segundo lugar dos álbuns mais bem sucedidos pela mesma, com 27000 vendas no primeiro ano do seu lançamento, algo significativo no meio indie.

A sonoridade da banda, originária do País de Gales, é caracterizada pela fuga à anarquia do punk, sob a influência de nomes como Bowie, Kraftwerk ou Tom Waits, com a guitarra, teclados e baixo dos irmãos Moxham, Stuart e Philip, a combinarem de forma soberba com a voz honesta e descomplexada de Alison Statton e o minimalismo de uma caixa de ritmos,  sempre numa lógica “low-key” que coloca o álbum num espaço único.

A verdade é que os YMG terminaram pouco depois, devido a desentendimentos entre os seus elementos e ainda que se fale num possível segundo registo passados cerca de 30 anos, após o regresso da mesma aos palcos (tendo passado por Portugal), o seu único álbum continua a merecer uma atenta audição.

Texto por: Zé Revés

“Blueberry Boat”, The Fiery Furnaces

A música que escolhi foi das coisas mais originais que encontrei nos últimos tempos e cheguei até ela através de uma lista da Pitchfork dos melhores álbuns feitos em 2004.
The Fiery Furnaces são uma banda americana de indie-rock composta por dois irmãos, Mathew e Eleanor Friedberger e esta Blueberry Boat é uma excelente introdução ao álbum a que dá nome.

Texto por Zé Revés

Qual é a vossa opinião em relação ao 4º Andamento da 9ª Sinfonia “From The New World” de Dvorak

A música clássica não me é totalmente estranha, pois já passei por uma fase em que ouvia com bastante regularidade, tanto para me acompanhar enquanto estudava ou para (tentar) apreciar verdadeiramente algumas das grandes obras.

Ao mesmo tempo, conheço a grande importância do malogrado maestro Herbert Von Karajan dentro do género e da editora Deutsche-Grammophon.

Contudo, para dizer a verdade, já não ouvia este tipo de música há algum tempo, talvez porque tenha ganho maior curiosidade relativamente à produção musical e às diferentes sonoridades que caracterizam a música moderna feita em estúdio.

No que toca a este 4º andamento da 9ª Sinfonia “From The New World” de Dvorak, é daqueles que todos certamente já ouvimos uma vez na vida – nem que fosse um breve trecho -, e é obviamente um prazer voltar a ouvi-lo, ainda que não tenha os mínimos conhecimentos técnicos para avaliar cada elemento da orquestra. Tal como referiram o João e o Gonçalo, o início também me fez lembrar um épico cinematográfico, embora eu fosse mais na direção do Senhor dos Anéis. São admiráveis os contrastes que vão acontecendo, a complexidade da obra e o modo como todos caminham num sentido comum. Certamente será o resultado de muita dedicação e estudo por parte dos seus intérpretes. É muito “andamento” musical, mas é sempre bom voltar aos clássicos.

Texto por: Zé Revés

O concerto que mais me marcou

Como concerto que mais me marcou terei de eleger o dos Tool, em 11 de Novembro de 2006 no Pavilhão Atlântico, pois fui para ele bastante entusiasmado com o álbum 10,000 Days lançado pouco tempo antes e fiquei completamente convencido da originalidade da banda.

Obviamente que, passados todos estes anos, é difícil recordar com grande exatidão tudo o que se passou no concerto, no entanto alguns aspetos do mesmo não se apagaram totalmente: a lembrança mais imediata tem a ver com a utilização de luzes feita pela banda durante o espetáculo, verdadeiramente deslumbrante e que muitas vezes colocava a malta a olhar para cima e a ver linhas verdes a cruzarem-se; depois, o carismático vocalista  Maynard James Keenan a usar uma máscara de gás com um microfone incorporado e um moicano fantástico; os famosos vídeos produzidos pelo guitarrista da banda, Adam Jones, a passarem ao fundo em algumas músicas e, num ponto mais negativo, a longa espera a que fomos submetidos antes do concerto dada a grande minúcia com que eram revistadas as pessoas à entrada – a pedido, segundo se disse, dos próprios Tool, que não queriam o registo de imagens de qualquer tipo -, levando a que apanhássemos o concerto inicial de Mastodon praticamente no fim.

Juntando a isto um louco desvairado, perdido de bêbado, que também não se me apagou da memória e que me fez talvez questionar pela primeira vez o porquê de certas pessoas comprarem bilhetes para os concertos, as recordações não são muitas mais. Mas foi um concerto que apreciei particularmente pelo elevado profissionalismo e seriedade evidenciados pela banda, que se caracteriza por um som marcadamente progressivo, com longos caminhos de meditação profunda sempre prontos a explodir na voz marcante de Keenan e na grande energia dos seus colegas. Fico à espera do próximo.

Tool

Texto por Zé Revés.

Foto por Rita Carmo.

“Soul Below”, de LJones

Já não sei como cheguei a este artista e a esta música em particular mas chamou-me desde logo a atenção. No seu bandcamp, não é possível observar muita informação sobre o autor, apenas de que Ljones é canadiano e teve a aprendizagem normal de cada beatmaker.
Como aquilo que interessa é a música, aí está uma ideal para animar este dia chuvoso.

Texto por Zé Revés.

Ty Segall

Lux, Lisboa – 25 Out. 2014            Fotografia inicial

Depois de uma longa espera na fila, quando cheguei à sala os franceses JC Satan já iam lançados e o contacto foi breve, mas deu para ficar desde logo com uma excelente impressão e considerá-los uma entrada perfeita. A rever numa próxima oportunidade.

Logo de seguida, de regresso a Portugal com Manipulator fresquinho na mão, depois da atuação no último NOS Primavera Sound, no Porto, e quatro anos depois da estreia no Barreiro Rocks, Ty Segall tem à sua frente um Lux completamente esgotado e devoto: após uma introdução feita pelo manager da banda, que se apresenta como o mestre-de-cerimónias e chapéu de cowboy na cabeça, o concerto foi simplesmente explosivo, com o americano natural de Laguna Beach a mostrar porque é hoje considerado um dos grandes nomes do Rock&Roll, viajando desde o Garage ao Punk no meio de uma aura glam com que pretende homenagear o seu ídolo Bowie.

Fotografia

Começando pela música homónima que abre Manipulator e avançando por algumas das mais desejadas como “Slaughterhouse”, “You’re the Doctor” “Feel” ou “Thank God For Sinners”, não houve grandes pausas, a não ser para um tímido “Obrigado”, algumas complicações técnicas e um ou outro momento de interação com o público. Havia sempre alguém em crowdsurf, com o próprio Ty Segall a aventurar-se sem nunca parar de incendiar a guitarra na companhia da sua “máquina” Mikal Cronin no baixo, Charles Moothart na guitarra e Emily Epstein na bateria.

No fim do encore a que tivemos direito, senti que valeu totalmente a pena e percebi o que fez dois dos meus amigos deslocarem-se, em Junho deste ano, ao já mencionado Primavera Sound no Porto, expressamente para vê-lo tocar. É impossível ficar indiferente.

Músico(s)/banda(s) portuguesas que mais vos têm marcado

Gosto acima de tudo de artistas que, como acontece com o rapper de Chelas que já destaquei em oportunidade anterior, transparecem um carácter genuíno em tudo aquilo que fazem, com uma atitude de respeito para com a cultura que representam. Desta vez abordarei três nomes: Linda Martini, Samuel Úria e Mão Morta.

No primeiro caso, Linda Martini é uma banda que lançou o seu primeiro álbum, Olhos de Mongol em 2006 e desde então tem vindo a crescer no panorama do Rock português. As suas músicas, umas mais complexas que outras, são acima de tudo sinceras. As letras são cruas e honestas. A atitude da banda – de quem confesso nunca vi qualquer espetáculo -, é a de um grupo de amigos que se junta e faz música. E assim certamente será sempre mais fácil fazê-lo e de existir uma comunhão de ideias.

No caso de Samuel Úria, falamos de um artista cujas letras são completamente o oposto dos anteriores: poeticamente elaboradas, um verdadeiro cantautor na senda de Fausto, Sérgio Godinho, etc. O artista vindo de Tondela traz as raízes a si agarradas e nunca perde aquela intensidade e simplicidade, por mais que viva rodeado de guitarras elétricas e malta com ideias tão diversas como a das editoras independentes. O último álbum, Grande Medo do Pequeno Mundo, é espantoso.

Por último, Mão Morta. Sinceramente, de todos os álbuns que ouvi deles, aquele que me chamou mais a atenção foi Nús. Logo a primeira música, Gumes, de 20 e tal minutos, chegaria para explicar Mão Morta: sem barreiras, sem leis, apenas seguindo o instinto predador de Adolfo Luxúria Canibal. Ao mesmo tempo, de todos os que ouvi, foi aquele que me pareceu ter uma produção melhor. Depois, há aquela interpretação do universo do Conde de Lautréamont, no espetáculo que a banda fez e que levou a palco os Cantos de Maldoror: que banda melhor do que Mão Morta para, na nossa língua, recriar todo aquele cenário surrealista?

texto por Zé Revés