Guilty Pleasures

O meu “guilty pleasure”, não é algo que eu esconda porque quem me conhece sabe que ouço, de vez em quando, e tenho uma grande “panca” pela artista em questão, mas talvez seja uma surpresa para muitas pessoas.

É uma menina de 29 anos (Americana), chamada Lana Del Rey. Não sou fã a 100%, mas tenho uma grande admiração por ela, porque para além de ser linda de morrer, tem um vozeirão que deixa qualquer pessoa de boca aberta. Não sou de ouvir os álbuns completos, sou mais de ouvir os “clássicos”, mas por acaso ouvi o último álbum, que saiu o ano passado, e foi algo que me surpreendeu, pois admito que foi um álbum que me conseguiu “agarrar”, do início ao fim, sem o largar. Aquele seu lado “Dark Side” e aquela voz ímpar, fazem com que seja uma artista única.

Sabe bem, por vezes, sairmos da nossa zona de conforto e ouvir algo que não é o nosso estilo preferido, e isto é o que me dá mais gozo ouvir, porque esta menina conseguiu transportar-me para um Mundo à parte, o que é algo completamente fascinante, e é simplesmente Lana Del Rey. Para mim é uma verdadeira Diva e é assim que o menino da “pesada”, admite a admiração que nutre por um estilo completamente diferente.

Texto por João Alves

Guilty Pleasures

Para alguém que descobre o encanto da música pela via da pop, o termo nunca poderá fazer muito sentido. Não me coíbo de gostar de determinadas canções por muito ridículas que sejam, apenas não as ostento orgulhosamente ao peito como se reflectissem a minha identidade musical. Ninguém gosta de ficar mal na fotografia, certo? Queremos sempre mostrar o nosso melhor lado, mas há que conhecer também o feio e o mau para se compreender o todo.

Penso que este punhado de canções não são extraordinariamente decadentes, mas não gosto de gostar delas. É daí que vem a “culpa”, digamos. E só assim este termo me faz sentido. Ganha vida com estas três senhoras:

Agnes- “One Last Time”

Lembram-se da sueca que há um par de anos nos pôs a cantar “Releeeeeeeeaaaaaassse Me” (tem que ser assim mesmo, com convicção)? Pois, essa é capaz de não envergonhar ninguém. O que me traz aqui é uma canção sua bem menos animada, tão dramática que até mete dó. Não sou nada sentimentalão, mas a angústia que a pobre da rapariga sente é tanta que não consigo evitar deixar de senti-la também. Como se não bastasse, ainda desato num pran… ha-ha, isso queriam vocês, a trauteá-la incessantemente sempre que a oiço. Esforço-me ao máximo para esquecer que existe, mas de tempos a tempos, lá vem ela outra vez, tão triste e tão frágil… oh well, what’s a boy gonna do?

Pixie Lott- “Lay Me Down”

O problema não é gostar de Pixie Lott. A miúda é gira que se farta, tem umas pernas estonteantes #legsalott, é uma excelente dançarina e sabe cantar mais do que aparenta. O problema está mesmo em gostar da sua discografia: engraçada no primeiro disco, terrível nos dois últimos. Então porque raio ainda não lhe dei uma tampa? Sei lá, acho que é daqueles encantos que não se desvanecem. Serei eu o único “seguidor” da sua carreira em Portugal? Talvez. Serei o único a lamentar um dia o fim da sua carreira? Completamente. Escolho “Lay Me Down”, mas podia ser “All About Tonight”, “Boys and Girls” ou “Kiss the Stars” – concordo, também acho que não posso descer mais baixo.

Taylor Swift- “Blank Space”

First things first: sempre detestei Taylor Swift. Aquela pop imberbe mascarada de country nunca fez o meu género e sempre me irritou solenemente vê-la a roubar o lugar cimeiro dos topes aos artistas que nunca esconderam ao que iam. Quando há meses atrás assumiu de vez a faceta pop que tanto teimava em negar, nem tive tempo para dizer que não. A “Shake It Off” não dava simplesmente para escapar, ainda hoje continua a ser irresistível. Já em relação a “Blank Space” podia ter virado costas, mas parte de mim não quis – a tal que necessita da sua dose de hits pop para sobreviver. Isto foi o melhorzinho que se arranjou no último trimestre de 2014: soa a uma versão mais cintilante e polida de “Complicated”, de Miss Lavigne, extremamente aditiva e eficaz mas muito pouco substancial. Nem vale a pena lutar contra o sentimento de culpa: até que a campanha promocional de 1989 dure, não há escapatória possível.

Agora sim, considerem-me sem pecados na culpa.

Texto por Gonçalo Dias

Guilty Pleasures

Acho que vou aceitar o ‘elogio’ de quando dizem que sou uma caixinha de surpresas, e quando se fala de música sou realmente uma verdadeira caixinha de surpresas. Para quem me conhece sabe que sou muito feminina, ou falando em termos mais populares, a “Girly Girl”. Geralmente, as “Girly Girls” só gostam de coisinhas fofinhas, ‘pinkies’, pop music, mas quem me conhece verdadeiramente sabe que não tenho só esse lado, tenho muitos mas muitos lados. Eu acho que vim ao mundo para quebrar essa regra. Não é um vestuário ou um estilo que vai definir o meu gosto de musical. Então, que importa as regras? Quem faz as regras és tu! Isto para dizer que eu tenho um ‘dark side’, não no sentido literal, mas considero esse lado como o lado oposto do “girly girl”, portanto, confesso sem medo que gosto e muito de rap, sim RAP! Aliás, desde de miúda que acompanho este estilo musical e tenho grandes ícones do rap no meu dicionário e biblioteca musical. Na minha opinião, é um estilo musical muito frontal, usando a poesia das palavras em melodias um pouco diferentes do habitual, não é a guitarra ou o piano que aqui interessa, mas sim o que dizem e como o dizem. “Tem dias que só a música é capaz de descrever os meus sentimentos”, e o rap faz isso mesmo.

Primeiro começamos por aquele que acho que é o rei, e claro que estou falar de Eminem. Eminem foi sem dúvida um artista que revolucionou a música, a sociedade, as palavras, o mundo. É um dos melhores artistas de todos os tempos. ‘Sem papas na língua’, Eminem conquistou mortais e imortais.

A seguir, menciono 50 cent. Não tão bom quanto Eminem, mas o mesmo também revolucionou o mundo musical, não pelos mesmos motivos, mas por outros tantos que marcaram. Um rapper que sabe o que faz, o que diz e o que pensa.

E quem disse que as mulheres não podiam ‘rapar’? Missy Elliot é atualmente a rapper feminina mais bem-sucedida de todos os tempos. Conquistou o meu coração, não com a sua simplicidade mas com a sua frontalidade musical.

Vamos agora voar dos E.U.A para Portugal, com Boss AC, Valete e SAM The Kid. Rappers portugueses que sem dúvida transformaram o mundo musical e a mentalidade portuguesa nesta nova geração. Boss AC, por um lado, o pioneiro do hip hop português. Valete com dois álbuns editados e cerca de 11 000 cópias vendidas, e Sam The Kid, um dos rappers mais influentes do panorama nacional de Hip-Hop. Portanto, Portugal está bem entregue à arte do rap, nova mentalidade, nova geração se avizinha.

Texto por Laura Pinheiro

Guilty Pleasures

spice girls

Relativamente ao desafio do editor desta semana, digamos que o mesmo não se aplica a mim. É que, para o bem e para o mal, eu tenho o hábito de ser totalmente transparente e de assumir tudo o que gosto e não gosto… sendo por vezes prejudicado por causa disso.

Assim, não tenho problemas em assumir quando adoro algo, em todos os aspetos e em todas as áreas.

Para me aproximar o máximo possível do desafio desta semana, assumo, algo que as pessoas mais próximas sabem perfeitamente, a minha enorme admiração pelas Spice Girls.

Acompanhei em direto todo o seu percurso, apesar de nunca as ter visto ao vivo. O mais próximo que tive foi na inauguração da Virgin dos Restauradores, mas quando os não convidados, como eu, entraram na loja já elas tinham terminado a sua atuação. Arrependo-me imenso de não ter tentado arranjar bilhetes para a sua digressão de regresso, realizada há alguns anos atrás, mas acredito que ainda concretizarei o sonho de as ver ao vivo. Em 2013, vi em Londres o musical baseado nas suas músicas – “Viva Forever!” –, o que foi para mim uma honra e me deu um enorme prazer.

Acho que as Spice Girls são muito mais do que uma simples girls-band. Não é ao acaso que passados tantos anos, elas continuem a não cair em esquecimento e até tenham feito um musical. As raparigas eram sem dúvida especiais, cantavam e dançavam bem, tinham carisma… e eram tipicamente britânicas. O seu humor, o seu profissionalismo e competência… e a parte física, as inglesas são as minhas preferidas, era tudo “Made in England”.

A juntar a tudo isto há a parte musical e não tenho problemas em afirmar que as Spice Girls, e respetivos colaboradores, fizeram excelentes canções… que eu adoro ouvir. As letras são sem dúvida algo “infantis”, mas a verdade é que na música nunca dei grande importância às letras. As suas performances transmitiam uma energia positiva incrível, verificando-se que as raparigas davam sempre tudo.

Deixo aqui alguns temas e algumas performances das magníficas Spice Girls:

Texto por João Catarino

Guilty Pleasures

“Só vou te contar porque você já é de casa”: os gostos musicais quase sempre escondidos

A citação que intitula este texto define exatamente o desafio proposto, e é de uma música da cantora e filha do mestre Gilberto Gil, Preta Gil (que muitos se envergonham de assumir que se jogam na “balada” com as canções dela). Assumo sem preliminares e conversa fiada, A-D-O-R-O a Preta!

Ela é apenas uma das muitas cantoras e bandas que costumam estar escondidas no iPod, no telemóvel, ou em qualquer sítio, contanto que esteja bem longe dos olhares alheios – até porque o que o povo gosta é de pagar de “cult”. E se tem um ritmo que está lá em baixo na lista dos géneros musicais “cultos o suficiente para curtir a página no facebook e compartilhar videoclips”, esse, sem sombra de dúvida, é o funk carioca.

Nascido nas favelas do Rio de Janeiro na década de 80, muito pouco se tem sobre a história e o que representa o funk brasileiro. Complemente diferente do estilo que marcou a trajetória de James Brown no cenário musical, as únicas características que os mantêm ligados é o facto de serem ritmos dançantes e de terem origem na periferia.

Dos bailes funks para as discotecas mais cobiçadas da Zona Sul do Rio de Janeiro e estrangeiras, esse género tem tido amantes por todo o lado, mas que, quase sempre, escondem o amor pelo ritmo cheio de suingue vindo das comunidades cariocas (como se nomeia atualmente as “favelas” sendo politicamente correto). Hoje, claramente, o funk “desceu morro e ganhou o asfalto”, como se diz no Brasil. O programa televisivo Furacão 2000 foi de grande ajuda na divulgação.

O estilo ganhou tamanha dimensão que já existem subgéneros. Tem o funk mais conhecido, intitulado de “proibidão” (batidas electrónicas dançantes e letras com teor sexual, que apelam à beleza e ao corpo ou feministas) sendo representado por artistas como Mr. Catra, os Hawaianos e a extinta Gaiola das Popozudas.

Tem o funk melody (faixas mais lentas e com letras românticas), com cantores como o MC Marcinho e a antiga dupla Claudinho & Buchecha.

O mais atual, difundido no subúrbio paulistano, o funk ostentação (o que muda em relação ao mais conhecido é a letra ter sempre ligação com o facto de ostentar dinheiro e luxo), com MCs novos no ramo, como o MC Guimê e a MC Pocahontas.

Para ganhar uma maior dimensão, o funk carioca tem se misturado ao pop, como é o caso das cantoras Anitta, Ludmilla e até a Valesca Popozuda.

O que muitos se envergonham e guardam a sete chaves, eu assumo de cara lavada. O funk carioca é o meu ritmo preferido quando o assunto é dançar. Sinceramente, não tenho problemas em dizer isso. O que ouço em casa, ouço em festas, na frente de amigos e familiares. Aliás, é o género musical que as pessoas mais costumam dizer que é a minha “cara”, sem saber que em casa ouço de MPB a rock. E, como toda mera mortal, dou uma passadinha pelo funk e danço em frente ao espelho, é claro. Inspirada pela música antiga, do início dos anos 2000, do Amilcka e Chocolate, não só concordo como assino em baixo e compartilho do mesmo pensamento: “é som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”.

Texto por Mayra Russo