Fado no Mercado da Ribeira

Camané em apresentação no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Camané e David Fonseca em apresentação no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Três anos depois da elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade, e no dia em que se soube que o Cante Alentejano tinha recebido a mesma distinção, uma das mais bem-sucedidas fadistas da nova geração, e talvez o seu ponto de partida, Mariza, foi escolhida para transformar o “novo” Mercado da Ribeira, em Lisboa, numa casa de fados.

Os concertos arrancaram ontem com Camané, tendo como convidado David Fonseca. Continua hoje com António Zambujo, juntamente com os Virgem Suta, e amanhã será a vez da própria Mariza subir ao palco, tendo como convidados Miguel Gameiro e Jorge Fernando.

Em mais uma noite de temporal, isso não foi impedimento para que centenas de pessoas se deslocassem ao renovado Mercado da Ribeira para assistir ao concerto de um dos fadistas mais importantes e talentosos da nova geração deste género musical, que é sem dúvida uma das “bandeiras” de Portugal.

Acompanhado de uma guitarra, um contrabaixo, que dá um certo toque jazzístico ao instrumental que acompanha Camané, e uma guitarra portuguesa, o cantor deu um excelente concerto, revelando todo o seu potencial vocal. Como convidado, o fadista escolheu David Fonseca, que se aventurou pelos caminhos do fado, e que apesar de não ser a sua praia até se portou à altura, mas que também levou Camané a aventurar-se no seu universo, o que também resultou da melhor forma.

Foi uma noite memorável, que deixou a plateia ao rubro e mais uma vez convencida de que Camané é sem dúvida um dos principais símbolos do Fado.

Texto por João Catarino

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“Canto” o novo álbum de Carminho

Chegou o novo álbum da fadista Carminho. “Canto” já se encontra no iTunes e no Spotify, estando em primeiro lugar no Top iTunes.

Carminho apresentou o “Canto” pela primeira vez ao vivo no Centro Cultural de Belém nos passados dias 23 e 24 de Outubro.

O primeiro videoclip já se encontra disponível no Youtube: “Saia Rodada”.

A Fadista partilhou com os seus fãs nas redes sociais o seu entusiasmo: “Depois de meses de dedicação e emoções fortes, com a cumplicidade de muitos amigos, está quase a chegar o momento mais alto: partilhá-lo convosco!” E esse momento já chegou.

“Canto”, um disco que promete.

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texto por Laura Pinheiro

Músico(s)/banda(s) portuguesas que mais vos têm marcado

Desde de criança que sou muito curiosa e quando descobri o que era música, nunca mais a larguei. Descobri a música sozinha, porque ninguém na minha família era músico ou ouvia música com muita frequência e isto foi novidade para todos. Não me considerava normal, pois em vez de fazer “birra” para ter brinquedos, muitas vezes fazia “birra” porque queria cassetes e cds de música. Estava constantemente com as cassetes nas mãos, a ver os videoclips na televisão, a ligar a rádio e a “roubar” os cds da minha irmã. Ela como era mais velha e eu não tinha o “poder” de obter cds a qualquer altura, “roubava-lhe” os cds. Deve ser por isso que naquela altura os Anjos, os Santamaria e os Excesso estavam o top da minha lista. Aquilo era uma loucura… lembro-me de ir a vários concertos dos Anjos e de ver os Santamaria na semana do Mar na lha do Faial. Recordo-me de um dia estar na escola e durante o lanche na sala dos alunos começou a dar o videoclip “Não sei viver sem ti” dos Excessos e todos começaram a cantar e eu estava calada. A minha professora disse-me: “Laura, canta!” E eu respondi: “Gosto de prestar atenção à letra e de ouvir a música na sua plenitude!” A música como tinha um grande impacto em mim queria descobrir a razão pela qual, e para uma criança isso era o mundo. Posso afirmar que os Anjos, os Santamaria e os Excessos marcaram-me por influência, mas gostava muito deles.

No entanto, houve cantores e bandas que me marcaram porque eu descobri-os do nada e criaram um click em mim, por exemplo os Madredeus, Quinta do Bill, Santos e Pecadores e Corvos.

Sempre fui uma grande fã de rock, e quando descobria bandas ou cantores de rock apaixonava-me logo por eles, e os Quinta do Bill foram sem dúvida um grande exemplo de pop rock (isto na cabeça de uma criança).

Apesar de na minha infância ouvir muita música anglo-saxónica e de ter aprendido a falar inglês sozinha aos 4 anos de idade, dava mais importância aos artistas portugueses do que os internacionais. Aprendi através deles a dar importância às letras e às palavras. Prestava muita atenção às letras, à musicalidade, a forma como juntavam tudo e até comentava/criticava comigo própria quando a música não estava “perfeita”, pois para mim, a música é perfeita, mas a vida não! Daí refugiar-me nesta arte.

Na minha opinião, a música é como um conto de fadas, há sempre uma lição de vida, seja ela qual for, está sempre presente em todas as letras e ajudam-nos a crescer.

Atualmente, depois de adulta, o grupo musical que me tem marcado mais é sem dúvida os Deolinda. As letras são qualquer coisa de outro mundo, o modo de como estão integradas na perfeição na musicalidade, nos instrumentos, na composição, é magnífico. Às vezes penso: “que sensação de Deja vú, parece que escreveram as músicas de prepósito para mim, estou tão dentro delas”. Por isso é que criei uma grande ligação com eles.

Como também, a música “Chuva” cantada pela fadista Mariza, é algo que me marcou e marca-me todos os dias. Não consigo explicar o porquê mas posso dizer que os meus olhos ficam cobertos de lágrimas.

Concluindo, Portugal está cheio de arte e de música. Estes artistas todos – e não só – contribuíram para o nosso crescimento musical e psicológico, de certa forma. Se não fossem eles, não seriamos tão ricos musicalmente e não seriamos quem somos hoje. O amanhã é incerto, mas devemos levar sempre nos nossos corações quem nos fez crescer e quem fez e faz história.

texto por Laura Pinheiro