Melhores do ano

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Sereia Louca – Capicua
Num disco dedicado às mulheres, Capicua volta a não ter medo de usar essa potente arma que é a palavra. O canto da sereia é triunfante.

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#batequebate – D’ALVA
Pop sem rodeios, com energia e sentimento qb. Um disco que fez valer a espera e soube corresponder à expectativa.

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How Can We Be Joyful In a World Full Of Knowledge – Bruno Pernadas
Uma viagem algo experimentalista que nos agarra do princípio ao fim e nos faz querer ouvir e ouvir outra vez.

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Crónicas da Cidade Grande – Miguel Araújo
Depois do sucesso confirmado, fazer um disco conceptual pose parecer suicida, mas Miguel Araújo e a sua capacidade de contar histórias em forma de canções é a prova de que arriscar ainda vale a pena.

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Playland – Johnny Marr
Pouco mais de um ano depois da estreia a solo, o ex-Smiths (e tantos outros) abraça o seu passado musical e volta com mais um punhado de belas canções.

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Education Education Education & War – Kaiser Chiefs
Já poucos davam algo pelos Kaiser Chiefs mas o quinteto de Leeds, mesmo tendo perdido o seu baterista e principal compositor, arregaçou as mangas e pôs cá fora a prova de que não nos vamos esquecer deles tão cedo.

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Diabo na Cruz – Diabo na Cruz
O diabo voltou mais seguro de si mesmo e com vontade de dançar. Quem esteja à espera de algo mais que grandes canções vai sair desiludido.

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Songs Of Innocence – U2
Há regressos e regressos, e o que afectou a forma não pose deturpar o conteúdo. Há muito que os U2 não nos davam um disco tão bom.

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48:13 – Kasabian
Quem disse que a guitar music tinha morrido? Os bons rapazes de Leicester têm um senhor disco para acabar com as dúvidas.

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Bill Bruisers – The New Pornographers
Regresso em grande de uns Pornographers mais elétricos, mas sempre a fabricar belas canções pop.

Texto porto Teresa Colaço.

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Músico(s)/banda(s) portuguesas que mais vos têm marcado

Lembro-me que quando era mais nova ouvia muito o Palavras ao Vento, dos Resistência, lá por casa. Mas o que mais me marcou dessa altura foi sem dúvida José Afonso. A minha mãe tinha uma cassete dele no carro e as minhas idas para a escola primária eram sempre acompanhadas por “aquela música das formigas”.

Quando comecei a ser eu a decidir o que ouvia, a música portuguesa não estava propriamente no menu. Aquilo que me chegava eram as (muito poucas) bandas que davam concertos na minha zona. Foi assim que descobri os Oioai. Na altura não fazia a mínima ideia de quem eram ou de onde vinham mas foram tocar à minha terra e tinham um som que me interessava, por isso, marcaram.  Do primeiro disco, “Sushi Baby” e “Deves Estar a Chegar” foram as mais conhecidas mas, para mim, esta “30 pés” é que era.

Ao longo dos anos fui-me empenhando em ler tudo sobre música e em ouvir o máximo possível, mas ainda assim o que lia era sempre sobre o que vinha lá de fora e que fui ouvindo seguia-lhe o exemplo. Até que vim parar à capital do império e fiquei zangada. Zangada comigo mesma, com a Blitz, com a rádio, com a televisão, sei lá, com o mundo inteiro.

“Como é que eu nunca tinha ouvido falar disto?” Os Pontos Negros, Dead Combo, Wraygunn, Os Lacraus, Os Golpes, B Fachada, Tiago Guillul, Samuel Úria, Manuel Fúria, You Can’t Win, Charlie Brown, Minta & the Brook Trout, noiserv, Linda Martini, Capitão Fausto, PAUS, enfim, tanta e tanta coisa de tão boa qualidade e eu preocupada com os Arctic Monkeys? Não podia ser. Nestes últimos dois anos, tenho vindo a interessar-me cada vez mais pelo que se faz por cá, e quanto mais ouço mais gosto e quanto mais gosto mais quero descobrir. Isto para dizer que podia falar aqui de muitos mais nomes mas como o espaço é escasso vou focar-me só em três.

Provavelmente serão a banda portuguesa que mais me marcou. Juntam o rock anglo-saxónico como o conhecemos desde sempre à melodia portuguesa num balanço perfeito. Foi com o Diabo na Cruz que aprendi que afinal a música popular portuguesa tem muito pouco de foleiro e que esse Portugal que achamos tão tristonho é até bastante entusiasmante.

Seja a solo, n’Os Azeitonas, para fadistas ou humoristas com projectos malucos, já escreveu canções de todas as formas e feitios. Para mim, é um dos melhores escritores de canções do nosso país e é uma pena que seja para sempre catalogado apenas como “o tipo que canta os aviões” ou “o dos maridos das outras”.

Para quem cresceu com a etiqueta de maria-rapaz era impossível ficar indiferente a uma simples troca de letra que faz toda a diferença. Com a Capicua passei a “Maria-Capaz” e aprendi que afinal o hip hop vale a pena. O último disco está repleto de grandes canções mas esta foi sem dúvida a que mais me marcou.

Acredito sinceramente que a música portuguesa nunca esteve de tão boa saúde. Um colega perguntava aqui porque é que o panorama nacional continua dominado pelos mesmos. Não creio que assim seja, mas a verdade é que nos cabe a nós ouvir, comprar, divulgar e apoiar aquilo que achamos que merece vingar. Já que gostamos tanto de lembrar como um dia descobrimos o mundo, acho que está na hora de começarmos a descobrir-nos a nós próprios. Não custa nada e aposto que se vão surpreender.

texto por Teresa Colaço