Allen Halloween – Adeus Dog

Enquanto pensava na música do dia, cai algo mágico à frente dos meus olhos. Allen, mais conhecido por Allen Halloween, partilha mais um tema na sua página de facebook. O rapper tem andado a lançar músicas, que poderão vir a fazer parte do seu próximo trabalho, a conta gotas.

Para quando um álbum novo? Não sabemos. Com Allen tudo pode acontecer. Até agora podemos disfrutar de alguns temas, que já foram lançados na internet, como: Livre Arbitrio, Rapazes do Campo, A Casa do Mickey Mouse.

A mais recente música chama-se: Adeus Dog, que dá a entender na letra, e imagem representativa do tema, ser direccionada a um amigo que o rapper perdeu. Com uma batida incrível, à qual Allen já nos habituou, e uma letra genial. É uma música para se ouvir e estar sempre em replay.

Texto por João Alves

“O rap foi uma parada muito importante na minha vida em relação à questão racial”, explica Rael em entrevista

O rapper brasileiro Rael tem dois álbuns e um EP, lançado recentemente, em sua carreira. Com os dias contados para terminar a digressão de “Ainda Bem que Segui as Batidas do Meu Coração” (2013), ele já tem marcada a data para iniciar a tour do EP “Diversoficando”, editado no fim de 2014. A repórter MAYRA RUSSO conversa via Skype com o cantor, músico e compositor, que fala sobre preconceito, a cultura hip hop e as novidades produzidas por ele.

Conhecido pela mistura de géneros musicais brasileiros e reggae com o rap, ele acaba por abranger um grande público através das suas canções. “Acho que essa mistura é um convite para outras pessoas e até as mais velhas também a começarem a ouvir rap”, revela Rael em entrevista. Embora essa não seja a receita principal para fazer com que o hip hop chegue ao topo das paradas, é uma maneira de dialogar com um público mais abrangente.

“Ser Feliz”, “O Hip Hop é Foda Parte 2”, “Hoje é Dia de Ver”, “Pré-Conceito” e “Envolvidão” são as faixas de “Diversoficando”, e foram todas disponibilizadas para download gratuito e pode encontrá-las também nos muros do Rio de Janeiro e de São Paulo. A malta conecta os fones em paredes com a logo do EP, e podem ouvi-lo de borla. Para Rael já não vale a pena lutar contra o download ilegal e gratuito, é preciso unir-se à essa ideia e fazê-la de maneira a chamar mais gente possível para ouvir as suas canções. “As pessoas que consomem já estão acostumadas ao artista disponibilizar de graça. E as pessoas que baixam isso de graça são as que vão no show, que também compram o físico às vezes”. O rapper acredita tanto nesse modo de distribuição que desistiu de assinar o seu último EP com uma gravadora justamente porque não queriam deixá-lo colocar para download gratuito.

Rael_entrevista (2)

Imagem: Divulgação/ Facebook Rael.

Vindo da favela paulistana (o que ou quem é da cidade de São Paulo), as temáticas rondam assuntos que têm gerado furor entre os jovens que vivem na periferia, como o preconceito e a importância exagerada que tem-se dado aos bens materiais. “Esses dias eu fui numa festinha que teve na escola do meu filho e vi que eu era o único negro lá. Eu me senti incomodado, saca? Mas as pessoas estavam tranquilas. Eu vi que era uma ‘encanação’ minha. Devido a essa ‘chaga’ que fica de tanto você ter passado por situações de preconceito. Mas eu fico vendo que rola esse lance da classe mesmo”, responde ao ser perguntado se acredita que o preconceito no Brasil ainda é racial ou se é mais social. Emenda ainda que Os Racionais o ajudaram muito na afirmação da identidade e a andar de cabeça erguida. “Antigamente as pessoas falavam: ‘ah, entra água no seu cabelo?’. E eu não sabia o que dizer, não tinha resposta. Aí Os Racionais vieram com um discurso muito bacana que me deu autoestima e eu comecei a bater de frente com as pessoas e a não ligar muito para isso, para quem era muito idiota”, assume o brasileiro, que aprendeu com o rap a enfrentar o preconceito racial numa época que esse assunto era tabu até dentro de casa e nas escolas.

“Envolvidão” é a única faixa romântica e é também a mais comercial, sendo a que alcançou mais visualizações no YouTube. Mas Rael acredita que há uma divisão na sociedade. Existem pessoas que se importam com o que acontece na periferia e gostam mais de canções como “Pré-Conceito” e outras que pensam apenas na “possibilidade de agregar valor e dar uma expansão só para elas mesmas”. Por ter o tema principal o amor, muitas mulheres acabam se identificando mais com essa faixa do que com as outras quatro.

Sendo o hip hop uma cena que enfatiza a realidade e coloquialidade, o brasileiro revela a importância do género no seu crescimento pessoal e artístico. “O rap foi uma parada muito importante na minha vida em relação à questão racial, que hoje em dia eu sei lidar com isso. Não me afeta. Quem tem esse tipo de pensamento, de comportamento eu tenho pena na verdade. Acho que é uma ignorância tremenda. Os moleques da quebrada estão com uma autoestima maior agora.”

A preocupação maior do Rael é passar conselhos para os mais jovens, assim como acredita ter sido aconselhado através das músicas d’Os Racionais e do rapper paulistano Xis. “Acho que é uma responsabilidade que a gente tem, sim, de tentar abrir os olhos das pessoas, de fazer elas enxergarem que elas são maiores do que elas acham que são, que não é só porque você tem um sistema de ida e vinda, de ir trabalhar, pegar autocarro cheio e voltar, que a sua vida é só isso. Têm muitas outras coisas para se conquistar além do dinheiro, que são coisas pessoais, internas.” E completa com a visão que tem dos jovens hoje em dia. “A molecada está se perdendo muito. Eles não se acharam ainda como pessoa, como ‘o que eu vou ser? O que eu vou buscar?’. Não tem essa ambição saudável. Primeiro ele quer um ténis foda, uma mota foda. Eu acredito que a gente possa consumir. Eu quero ter coisas também. Mas essas coisas não podem falar por mim, não podem vir primeiro e nem serem o ponto vital da minha vida. Então eu tento pregar isso para a molecada.”

Durante a conversa (para ler a entrevista completa, clique aqui), Rael admite ter vontade de trazer a digressão de “Diversoficando” para a Europa e anuncia o dia 12 de Março para o início da mesma em São Paulo, no Brasil.

Pegar num álbum que nunca tenha ouvido de um artista/banda que desconheça e tentar fazer uma análise e descobrir um pouco mais desse artista

Para ser sincero, fugi um pouco ao desafio da Vera, isto porque o artista que escolhi é alguém que não desconhecia totalmente… mas quase. Estou a falar de Boss AC e o disco escolhido “AC para os amigos”, que tem um dos pouquíssimos temas que já conhecia deste senhor “Sexta-Feira (Emprego Bom Já)”. O resto era totalmente novo para mim.

A minha escolha relaciona-se com o desejo que tive, em função do desafio lançado, de entrar num universo que pouco conheço e domino. No fundo, era assim porque não gostava de hip-hop. Mas como nunca me dediquei a ouvir com calma um álbum inteiro deste género musical, acabava por ter a consciência um pouco pesada e por vezes subsistia a dúvida “será que só não gosto de hip-hop porque nunca o ouvi com a atenção devida?”. Foi para esclarecer esta questão, que decidi escolher um disco de um artista hip-hop português conhecido.

A primeira coisa que me vem à memória sobre este artista é a história de um ex-colega de uma loja conhecida, que me contou que uma vez uma cliente se virou para ele e lhe perguntou pelos discos do Bossac. Perante isto, o funcionário da loja ficou sem saber muito bem o que responder, informando a cliente que nunca tinha ouvido falar em tal nome. De qualquer forma, e para descargo de consciência, decidiu ir falar com o colega da música clássica, já que o nome lhe soava melhor para essa área musical. Mas na música clássica também ninguém tinha ouvido falar em tal nome. Foram precisos uns bons minutos para todos perceberem o que é que a senhora realmente queria e foi com dificuldade que evitaram o riso à frente da cliente.

Boss AC é de origens cabo verdianas e filho da cantora Ana Firmino. Participou na compilação “Rapública”, que reunia aqueles que eram então os melhores rappers nacionais. O seu álbum de estreia é de 1998 e tem como título “Mandachuva”. Depois disso, lançou mais quatro álbuns, o último dos quais em 2012 com o nome “AC para os amigos”, que conta com convidados como Rui Veloso e Gabriel O Pensador, e é exatamente neste álbum que eu decidi investir algum do meu tempo… ainda o ouvi umas 5 vezes, que era para não ter dúvidas relativamente ao que vou escrever a seguir.

Não gostava de hip-hop… e continuo a não gostar, mas agora digo-o com mais convicção e legitimidade. Boss AC tem sem dúvida um talento apurado para a construção de rimas, mas de resto o que encontro é alguém a cantar sempre de forma idêntica, a melodia vocal é sempre a mesma, só interrompida com refrões um pouco mais melódicos e cantados quase sempre por outros. Foi para mim deveras cansativo ouvir este disco na totalidade por cinco vezes. No fundo, é tudo muito repetitivo e igual do princípio ao fim. Poderá dizer-se que é isso que define o estilo hip-hop, pois… mas eu não gosto e tenho algumas dificuldades em encará-lo enquanto música, vejo antes nele algo mais virado para os sociólogos analisarem… quem faz hip-hop, porque é que o faz, para quem o faz, quais os objetivos do estilo, etc..

No entanto, não queria deixar de destacar que também eu me deixei encantar pelo tema “Sexta-Feira (Emprego Bom Já)”, sem dúvida mais pop. É pena o disco não ser todo assim.

Por fim, vem a conversa da crítica política e social, mas se só alguns têm legitimidade para fazer crítica musical, também só alguns a têm para falar de política e da sociedade e os cantores não estão com certeza nesse grupo. E isto vai ao encontro de outra coisa que me faz confusão neste estilo musical, o dizer as coisas como se fosse o dono da verdade.

Acabo dizendo que respeito totalmente quem gosta e canta hip-hop, e que vai discordar por completo com o que disse atrás, mas as coisas em democracia são mesmo assim… e ainda bem!!!

Texto por João Catarino.

Novo álbum de Kanye West “é como um par de Timberlands”

Em declarações à Rolling Stone, colaborador directo do rapper norte-americano compara o novo trabalho às famosas botas.

Kanye West

Malik Yusef, elemento essencial no trabalho de Kanye West desde os seus primeiros passos no comando das operações, afirma que existem 20 canções completas para o sucessor de Yeezus e que aquele se prepara, mais uma vez, para alterar as coordenadas.

“Este álbum é diferente. É como um par de Timberlands, cuja pele não é inteiramente camurça nem couro. Não é o som brando de Chicago nem um Hip-Hop agressivo. Nós continuamos a trabalhar compulsivamente e temos percorrido o mundo inteiro a desenvolver as nossas ideias.“Yusef afirma que as gravações têm decorrido de uma forma bem mais pacífica do que no último álbum de West, com a mudança então promovida na sua música a causar sérios problemas. “Lutámos durante a gravação de Yeezus todos os dias,” diz, entre risos. “Não havia desacordos amigáveis, era definitivamente uma guerra! Ele dizia-me: ‘Eu não quero saber Malik! Este é um álbum de Kanye, não de Malik Yusef!’ Atirou-me para fora do estúdio oito vezes!”

Segundo a mesma publicação, o rapper Theophilus London confirmou, no mês passado, através de uma fotografia com Kanye, que o álbum se encontrava em andamento, depois de este ter revelado em Julho, à GQ, o seu desejo de lançar o novo álbum ainda em 2014. “Pensava que o álbum poderia sair em Junho, como Yeezus, e “abanar” o Verão, mas a minha ligação com a Adidas e a vontade de estar com o meu filho impediram que assim fosse.”

Em Agosto chegou a ser lançada uma amostra do primeiro single “All day”, tendo sido imediatamente retirada.

texto por Zé Revés