Deolinda ao vivo no Casino Lisboa

No âmbito do ciclo de concertos Arena Live 2014 que têm levado grandes nomes da música portuguesa ao Casino de Lisboa, assistimos ao espectáculo dos Deolinda, que em mais uma noite gelada de Outono (e de concerto de Anselmo Ralph logo ali ao lado na MEO Arena) atraíram uma enchente considerável ao edifício lisboeta.

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O grupo chega um ou dois minutos depois das 22h30, hora marcada, apresentando-se em formato quinteto, com um baterista a juntar-se à formação original. Iniciam o espectáculo de rajada com duas canções do primeiro e último álbum, e logo ao terceiro tema, “Patinho de Borracha” – com direito a um exemplar manuseado alegremente na cabeça de Ana Bacalhau – já têm o público nas mãos, rendido à graça natural da vocalista e às melodias ladinas dos restantes Deolindos.

Ana Bacalhau revela-se uma performer de mão cheia. Entrou assertiva e concentrada, mas assim que sentiu que tinha agarrado a plateia, cresceu a olhos vistos e transformou-se na entertainer mais arrasadora num raio de 20 km, quer quando simulava malabarismos, desafiava o público a bater palmas ao seu compasso (e tantas que foram as sequências) ou se dirigia a este com provocações e olhares destemidos, quando interagia com o drone encarregue de filmar o concerto ou, até mesmo na parte final, quando se lançou a um quase beatbox na introdução à “Musiquinha”. O palco era minúsculo, mas ela tornou-o gigante.

Ao longo de uma hora e meia, assistiu-se a um desfile imaculado de canções de cariz popular. As castiças “Fado Toninho”, “Fon-Fon-Fon” e a divertida “Movimento Perpétuo Associativo”, retiradas do álbum de estreia, foram cantadas quase na totalidade pelo público. “A Problemática Colocação de um Mastro” e a sua toada de marcha popular facilmente nos fizeram gingar e esquecer o tilintar de copos e as slot machines, enquanto “Um Contra o Outro” e “Seja Agora” arrancaram os aplausos mais efusivos da noite. Pelo meio houve a belíssima “Passou por Mim e Sorriu”, a recuperação de “Eu Tenho um Melro”, há algum tempo afastada do alinhamento dos concertos do grupo, e uma esfuziante interpretação de “Doidos”, do último álbum, com a banda a levar a canção à letra. O encore foi feito ao som de “Clandestino” e da já referida “Musiquinha (“e abana, abana, abana!”) com direito a um portentoso solo final de guitarras.

Fica-se com a sensação de que os Deolinda deram um concerto digno de um Coliseu, tamanha foi a entrega e a fluidez do alinhamento. Mais do que um concerto, foi uma comemoração da música popular portuguesa e um possível culminar de mais um excelente ano de estrada.

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Texto por: Gonçalo Dias
Foto: Patrícia Rodrigues

Deolinda “rock ’aram” no Casino Lisboa

Deolinda regressaram pela 4ª vez ao Casino de Lisboa para dar mais um concerto muito divertido e animado aos portugueses e a todos os presentes naquele momento.

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Ana Bacalhau, Pedro da Silva Martins, Luís José Martins e José Pedro Leitão encheram o Casino com muita animação, muita música, muitos sorrisos e o mais importante, partilharam com os portugueses música portuguesa, uma arte admirável. “Somos sempre muito bem recebidos aqui no Casino”, afirmou o contrabaixista, enquanto os restantes artistas asseguraram que após o concerto sentiam-se muito satisfeitos, “pois o público reagiu muito bem”.

De música para música o público batia palmas, e todo animado cantava juntamente com a vocalista que deslumbrava com o vestido preto no arena lounge. Cantavam as músicas mais populares e mais cativantes, nomeadamente “Fon Fon”, “Seja Agora”, “Um contra o outro”, “Mal por Mal”, “Passou por mim e sorriu” e entre outras.

O grupo musical português, de momento não está a pensar num 4º álbum. “Provavelmente em janeiro já iremos começar a pensar e a trabalhar sobre o assunto”, referiram.

Deolinda têm viajado um pouco por todo o mundo, deixando a sua ‘marca’, expondo que o público estrangeiro reage muito bem aos concertos, apesar de a língua ser diferente, a reação é bastante positiva e são muito bem acolhidos.

O concerto de Deolinda no estrangeiro que mais marcou este grupo musical português foi o primeiro de todos, em Leuven na Bélgica, num “auditório incrível”, afirmou o contrabaixista. Já em Portugal, muitos são os concertos marcantes “na nossa ainda curta mas intensa carreira” declarou Ana Bacalhau. Alguns exemplos são o primeiro no coliseu, no Sudoeste, no CC das Caldas, mas Pedro da Silva Martins afirmou que existe outros concertos que marcam de maneira diferente, por exemplo uma das primeiras vezes que saíram de Lisboa, quando foram tocar à freguesia do campo, em Valongo. “Estavam apenas 10 pessoas presentes, porque estava haver um jogo do Benfica, ninguém nos conhecia e tivemos ali a tocar para um vale, a ouvir o nosso próprio eco, a nossa própria música, tivemos ali um concerto de corpo e alma e isso também é marcante”, expôs o guitarrista.

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O Grupo de música popular portuguesa tem demonstrado ao longo da sua carreira que é capaz de atuar em qualquer palco, desde auditórios, concertos ao ar livre, festivais e entre outros. Ana Bacalhau destacou  que  a Deolinda é uma sobrevivente e tem mau feitio, porque “quando dizem que ela não é capaz ela vai e tumba”. É um bocadinho essa  atitude rock n’ roll que nós temos, basicamente Deolinda Rock”.

Os músicos referiram que a música portuguesa está a viver um   momento muito feliz em quase todos os níveis, tanto cantado em português,   como em inglês e a nível instrumental também. “É um momento     muito feliz na nossa geração porque estão a contribuir    para   enriquecer”, realçou o contrabaixista. Deolinda em três palavras são “música em português”, conclui José Pedro Leitão.

Texto por: Laura Pinheiro

Fotos por: Ricardo Gomes

Músico(s)/banda(s) portuguesas que mais vos têm marcado

Desde de criança que sou muito curiosa e quando descobri o que era música, nunca mais a larguei. Descobri a música sozinha, porque ninguém na minha família era músico ou ouvia música com muita frequência e isto foi novidade para todos. Não me considerava normal, pois em vez de fazer “birra” para ter brinquedos, muitas vezes fazia “birra” porque queria cassetes e cds de música. Estava constantemente com as cassetes nas mãos, a ver os videoclips na televisão, a ligar a rádio e a “roubar” os cds da minha irmã. Ela como era mais velha e eu não tinha o “poder” de obter cds a qualquer altura, “roubava-lhe” os cds. Deve ser por isso que naquela altura os Anjos, os Santamaria e os Excesso estavam o top da minha lista. Aquilo era uma loucura… lembro-me de ir a vários concertos dos Anjos e de ver os Santamaria na semana do Mar na lha do Faial. Recordo-me de um dia estar na escola e durante o lanche na sala dos alunos começou a dar o videoclip “Não sei viver sem ti” dos Excessos e todos começaram a cantar e eu estava calada. A minha professora disse-me: “Laura, canta!” E eu respondi: “Gosto de prestar atenção à letra e de ouvir a música na sua plenitude!” A música como tinha um grande impacto em mim queria descobrir a razão pela qual, e para uma criança isso era o mundo. Posso afirmar que os Anjos, os Santamaria e os Excessos marcaram-me por influência, mas gostava muito deles.

No entanto, houve cantores e bandas que me marcaram porque eu descobri-os do nada e criaram um click em mim, por exemplo os Madredeus, Quinta do Bill, Santos e Pecadores e Corvos.

Sempre fui uma grande fã de rock, e quando descobria bandas ou cantores de rock apaixonava-me logo por eles, e os Quinta do Bill foram sem dúvida um grande exemplo de pop rock (isto na cabeça de uma criança).

Apesar de na minha infância ouvir muita música anglo-saxónica e de ter aprendido a falar inglês sozinha aos 4 anos de idade, dava mais importância aos artistas portugueses do que os internacionais. Aprendi através deles a dar importância às letras e às palavras. Prestava muita atenção às letras, à musicalidade, a forma como juntavam tudo e até comentava/criticava comigo própria quando a música não estava “perfeita”, pois para mim, a música é perfeita, mas a vida não! Daí refugiar-me nesta arte.

Na minha opinião, a música é como um conto de fadas, há sempre uma lição de vida, seja ela qual for, está sempre presente em todas as letras e ajudam-nos a crescer.

Atualmente, depois de adulta, o grupo musical que me tem marcado mais é sem dúvida os Deolinda. As letras são qualquer coisa de outro mundo, o modo de como estão integradas na perfeição na musicalidade, nos instrumentos, na composição, é magnífico. Às vezes penso: “que sensação de Deja vú, parece que escreveram as músicas de prepósito para mim, estou tão dentro delas”. Por isso é que criei uma grande ligação com eles.

Como também, a música “Chuva” cantada pela fadista Mariza, é algo que me marcou e marca-me todos os dias. Não consigo explicar o porquê mas posso dizer que os meus olhos ficam cobertos de lágrimas.

Concluindo, Portugal está cheio de arte e de música. Estes artistas todos – e não só – contribuíram para o nosso crescimento musical e psicológico, de certa forma. Se não fossem eles, não seriamos tão ricos musicalmente e não seriamos quem somos hoje. O amanhã é incerto, mas devemos levar sempre nos nossos corações quem nos fez crescer e quem fez e faz história.

texto por Laura Pinheiro