U2 – “The Electric Co.”

Em 1980 os U2 lançam o seu primeiro LP, Boy, o qual contava com o tema “The Electric Co.”, uma canção com uma pujança e uma força tremenda. Os quatro irlandeses em sintonia, como sempre, fazem um tema poderoso, com uma guitarra agressiva, uma secção rítmica que leva tudo atrás e uma interpretação de Bono que leva ainda mais longe a força deste tema. Ao vivo, o poder desta canção ainda fica mais à vista.

Aqui fica “The Electric Co.”, interpretada pelos portugueses THE FLY Tributo U2.

texto por João Catarino

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“The Joshua Tree” – Álbum favorito… ou o segundo

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Como na semana passada calhou-me pela primeira vez o “Álbum da Semana”, falei daquele que é o meu álbum favorito – “Achtung Baby”. Assim, falarei desta vez daquele que é o meu segundo álbum favorito… e que também é dos U2. Chama-se “The Joshua Tree” e saiu em 1987.

Depois da primeira mudança no som da banda realizada com o álbum anterior – “The Unforgettable Fire”, de 1984 e produzido por Brian Eno e Daniel Lanois – os U2 voltam a chamar os mesmos produtores, para aprofundar ainda mais essa mudança e evolução na sua sonoridade, como também agora uma forte influência da música americana.

O resultado final é um disco que para muitos fãs dos U2 é o seu preferido. Uma das discussões que costuma surgir entre fãs é a questão do melhor disco e normalmente a “guerra” é entre “The Joshua Tree” e “Achtung Baby”.

O álbum de 1987 foi o que fez com que os U2 se tornassem numa banda de estádios e de escala global a todos os níveis. Desde o seu lançamento que é sem dúvida o disco com mais influência no alinhamento dos concertos da banda. Os três primeiros temas – “Where The Streets Have No Name”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “With Or Without You” – são três clássicos da música e têm quase sempre presença nas atuações.

Temos ali reunidas 11 excelentes canções… das melhores que os U2 já fizeram até hoje.

Admito que “The Joshua Tree” tenha melhores canções que “Achtung Baby”, deste só “One” é que continua a ser “obrigatória” nos concertos, mas prefiro o álbum de 1991 por ser superior a nível de som, arranjos, ambição e garra… para além de que serviu de base para aquela que eu considero ser a melhor digressão de todos os tempos – “ZooTV Tour”.

Texto por: João Catarino

U2- Achtung Baby

Achtung Baby

Esta é a primeira vez que me calha o “Álbum da Semana” e assim é com naturalidade que escolho falar daquele que é para mim o melhor disco de todos os tempos – “Achtung Baby” dos U2.

Depois de se terem rendido à América, tanto em termos sonoros como de imagem, com os álbuns “The Joshua Tree” e “Rattle And Hum”, os U2 decidiram que “teriam que ir embora e sonhar tudo novamente”.

Esta mudança verificada, a todos os níveis, na banda irlandesa, entre a fase americana e a seguinte, que arranca exatamente com a edição em novembro de 1991 de “Achtung Baby”, é a mudança mais bem conseguida e mais profunda alguma vez feita no universo da música.

Foi um risco enorme aquele que a banda correu, mas com talento, criatividade e muito trabalho, a mudança não podia ter corrido melhor, tendo sido da maior importância para que a banda se mantivesse no topo.

Nos meses anteriores à saída do disco, comecei a ler nas revistas, na altura não havia a Internet, afirmações de Bono dizendo que o próximo álbum da banda seria de dança e que o The Edge andava obcecado pela guitarra. Os U2 a fazerem música de dança?! Logo aí comecei a ficar desconfiado com o que aí vinha… e tinha razões para isso!

Lembro-me como se tivesse sido hoje, o dia em que ouvi na rádio a estreia do single de avanço do disco – “The Fly”. Digamos que fiquei perplexo perante aquilo que estava a ouvir… já que se tratava de algo completamente diferente de tudo o que a banda tinha feito até então.

Tive o cuidado de gravar a estreia da música numa cassete e assim perdi a conta do número de vezes que depois voltei a ouvir a música… mas a verdade é que a coisa não “entrava”. Estava a ser difícil para mim aquilo convencer-me.

Poucos dias depois, dá-se a estreia do videoclip da música na televisão e se eu já estava baralhado das ideias, ainda pior fiquei. As fotos que foram surgindo dos “novos” U2 e o vídeo da “The Fly” apresentaram-me os quatro irlandeses a vestirem-se e a arranjarem-se de maneira totalmente diferente.

Ainda antes da saída para as lojas de “Achtung Baby”, chegou às rádios mais um tema do disco – “Until The End Of The World”, que também faz parte da banda sonora do filme com o mesmo nome, realizado por Wim Wenders, que não ajudou a resolver toda a apreensão e dúvidas criadas em relação à nova fase da banda.

O disco sai e após muitas audições, “Achtung Baby” continuava a não convencer-me… foi preciso arrancar a respetiva tour – “ZooTV Tour”, para mim a coisa mais extraordinária e espetacular alguma vez feita – para que tudo aquilo começasse a fazer sentido e este álbum se tornasse para mim no melhor de sempre.

O álbum foi produzido por Brian Eno e Daniel Lanois, que já tinham trabalhado com os U2 em “The Unforgettable Fire” e “The Joshua Tree”, tendo o primeiro marcado também, com menos força porém do que a realizada no início dos anos 90, uma viragem na sonoridade da banda. A primeira fase das gravações de “Achtung Baby” ocorreu em Berlim, nos famosos Hansa Studios, que já tinham sido utilizados por David Bowie, Iggy Pop e Depeche Mode, entre outros, pouco tempo depois da queda do Muro de Berlim, tendo a banda ficado instalada num hotel onde tudo era castanho. O facto de parte do álbum ter sido gravado em Berlim… e naquela altura, marcou-o fortemente. Mas os U2, principalmente Bono e The Edge, queriam mesmo fazer uma mudança de fundo em todo o seu universo, o que de início criou alguns momentos de tensão entre os membros da banda.

Foi com o “aparecimento” de “One” que a coisa se começou a compor e todos puderam perceber que estavam a fazer alguma coisa de importante e que caminho iriam seguir.

Com “Achtung Baby” continuávamos, no fundo, a ter os U2 de sempre e aquilo que na realidade os caracteriza… quatro músicos a querer fazer boa música e sempre com a preocupação de inovar e de experimentar novos mundos. Assim, as influências americanas ficaram para trás e no seu lugar surgiram outras como o rock alternativo, a música industrial, a música de dança… e um Bono, e respetivas personagens criadas por esta altura (The Fly, The Mirrorball Man e Mr. MacPhisto), a utilizar por vezes alguns efeitos na sua voz, a guitarra de The Edge mais presente, agressiva e rude, como nunca a tínhamos ouvido até então, e uma secção rítmica mais forte, musculada e por vezes dançável.

Em julho de 1993, a meio da ZooTV Tour, sai o álbum seguinte – “Zooropa” – que ainda leva mais longe o lado experimental da banda. Mas como já conhecíamos “Achtung Baby” o “choque” aqui já não foi tão grande.

Texto por João Catarino

Melhores do ano

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Sereia Louca – Capicua
Num disco dedicado às mulheres, Capicua volta a não ter medo de usar essa potente arma que é a palavra. O canto da sereia é triunfante.

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#batequebate – D’ALVA
Pop sem rodeios, com energia e sentimento qb. Um disco que fez valer a espera e soube corresponder à expectativa.

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How Can We Be Joyful In a World Full Of Knowledge – Bruno Pernadas
Uma viagem algo experimentalista que nos agarra do princípio ao fim e nos faz querer ouvir e ouvir outra vez.

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Crónicas da Cidade Grande – Miguel Araújo
Depois do sucesso confirmado, fazer um disco conceptual pose parecer suicida, mas Miguel Araújo e a sua capacidade de contar histórias em forma de canções é a prova de que arriscar ainda vale a pena.

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Playland – Johnny Marr
Pouco mais de um ano depois da estreia a solo, o ex-Smiths (e tantos outros) abraça o seu passado musical e volta com mais um punhado de belas canções.

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Education Education Education & War – Kaiser Chiefs
Já poucos davam algo pelos Kaiser Chiefs mas o quinteto de Leeds, mesmo tendo perdido o seu baterista e principal compositor, arregaçou as mangas e pôs cá fora a prova de que não nos vamos esquecer deles tão cedo.

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Diabo na Cruz – Diabo na Cruz
O diabo voltou mais seguro de si mesmo e com vontade de dançar. Quem esteja à espera de algo mais que grandes canções vai sair desiludido.

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Songs Of Innocence – U2
Há regressos e regressos, e o que afectou a forma não pose deturpar o conteúdo. Há muito que os U2 não nos davam um disco tão bom.

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48:13 – Kasabian
Quem disse que a guitar music tinha morrido? Os bons rapazes de Leicester têm um senhor disco para acabar com as dúvidas.

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Bill Bruisers – The New Pornographers
Regresso em grande de uns Pornographers mais elétricos, mas sempre a fabricar belas canções pop.

Texto porto Teresa Colaço.

Melhores do ano

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A capa de Films of Innocence, da autoria do português Vhils

Por ser um enorme fã dos U2, 2014 é para mim, no que a novos lançamentos diz respeito, o ano do regresso da banda irlandesa aos discos, com a edição de “Songs Of Innocence”, primeiro álbum de estúdio desde 2009. Depois de um “No Line On The Horizon” menos conseguido, este ano a banda lança aquele que é para mim o seu melhor disco desde “Zooropa”, editado em 1993. Pessoalmente, considero-o de longe o melhor álbum de 2014… equilibrado, sem pontos fracos, e em que todas as músicas são autênticos clássicos.

De tudo o resto que foi editado, destaco a voz única, que conheci este ano, de Lykke Li, nomeadamente através do seu mais recente disco – “I Never Learn”. Também ela faz parte da obra-prima “Songs Of Innocence”, participando no lindíssimo tema “The Troubles”.

Também me foi apresentado este ano o álbum “Lost In The Dream” dos The War On Drugs, que me convenceu de imediato após a apresentação do single de avanço “Red Eyes”.

Recentemente, tomei contacto com a bonita voz e música de Sharon Van Etten. “Are We There” é o seu mais recente disco e é sem dúvida uma das coisas mais belas editadas este ano.

Poderiam constar nesta lista, mas como ainda não os ouvi com a devida atenção, não posso para já dar uma opinião sobre os últimos de Interpol – “El Pintor” – e Johnny Marr – “Playland”, que são dois nomes que muito me dizem.

Por cá, também comecei a gostar um pouco de Dead Combo, nomeadamente do álbum que editaram este ano – “A Bunch Of Meninos”.

Como grandes desilusões do ano, nomeio os últimos de Coldplay, Pink Floyd e em Portugal Rita Redshoes.

Texto: João Catarino

Os U2 são a banda no ativo com maior longevidade e regressam no dia 9 aos MTV EMA Awards

Os U2 foram considerados pela revista Rolling Stone como sendo a banda no ativo com maior longevidade, contando para isso o facto de desde 1978, ano em que a banda ficou em definitivo com a formação atual e mudou o seu nome para U2, os membros que a constituem serem exatamente os mesmos. Em segundo lugar ficaram os Radiohead e em terceiro os De La Soul.

Entretanto, soube-se hoje que os U2 estão de volta aos MTV EMA Awards, atuando na cerimónia deste ano a realizar no domingo, dia 9, em Glasgow (Escócia). A atuação faz parte da tour de promoção do seu mais recente álbum, Songs Of Innocence, que a banda tem vindo a realizar. Esta será a quarta vez que os U2 atuam nos prémios europeus da MTV. A estreia deu-se em 1997 em Roterdão, seguiu-se Estocolmo em 2000 e por último Berlim em 2009.

Recordamos a primeira de todas essas atuações, em que a banda fez uma espécie de reconstituição do início dos concertos da PopMart Tour.

Texto por João Catarino.

U2 “Kite”

Como não podia deixar de ser, na primeira vez que me calha a rúbrica “Música do Dia” tenho de escolher um tema dos U2.

O “património” da banda irlandesa vai muito além das músicas que passam na rádio. Há muito por descobrir na sua discografia para lá de um “best-of”. São verdadeiras pérolas o que encontramos ao ouvir os discos destes senhores.

É o caso da “Kite”, faixa nº 5 do álbum “All That You Can’t Leave Behind”, lançado em 2000, e que não foi single. Uma música que revela todo o poder e sensibilidade da voz e atitude de Bono, a guitarra incomparável de The Edge e a secção rítmica única composta por Larry Mullen Jr. e Adam Clayton.

Este tema era um dos momentos altos dos concertos da “Elevation Tour”, realizada em 2001 e que visava promover o álbum atrás referido. Depois dessa digressão, “Kite” só voltou a ser tocada em 2006, na Austrália e na Nova Zelândia, na 5ª Leg da “Vertigo Tour”.

É uma das muitas músicas que os fãs dos U2 sonham voltar a ver e ouvir tocada ao vivo.

Deixo um vídeo com a interpretação ao vivo do tema, presente no DVD “U2 Go Home: Live From Slane Castle, Ireland”, lançado em novembro de 2003.

texto por João Catarino