Uma sala pequena onde couberam uma série de paisagens bem distintas

CARLOS MARIA TRINDADE – Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório) 03/06/2015

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Há muito em comum entre Carlos Maria Trindade e Brian Eno, apesar da diferença de idades e do primeiro ter uma dimensão nacional e o segundo confundir-se com a própria história da música feita nas últimas décadas por esse mundo fora. A única exceção no currículo do português em termos internacionais, são as atuações que tem feito no estrangeiro com os Madredeus.

Ambos têm, talvez, em comum o terem conquistado a sua fama mais à conta de trabalhos realizados para outros do que propriamente por lançamentos a título individual. Os dois fizeram parte de bandas de sucesso ainda jovens, cada um na sua respetiva “divisão”, Carlos Maria Trindade nos Corpo Diplomático e, principalmente, nos Heróis do Mar e Brian Eno nos Roxy Music. Depois disso, ambos deixaram a sua marca, acima de tudo, na produção de trabalhos de outros, deixando-a bem audível na sonoridade final. E o mais interessante é que esses outros têm diferentes proveniências em termos musicais, mas a qualidade é uma constante. Enquanto o português esteve por detrás de sucessos de António Variações, Xutos & Pontapés, Rádio Macau, Delfins ou Mariza, alguns deles presentes no concerto de ontem, o britânico é associado a nomes como os U2, David Bowie ou Talking Heads. Outro ponto de encontro é o enorme fascínio que têm pelos sintetizadores. Isso ficou bem patente na atuação de ontem, onde por mais do que uma vez pudemos ouvir Carlos Maria Trindade a elogiá-los e a abordar as suas potencialidades, como aconteceu a propósito dos sons ouvidos de um órgão de igreja, neste caso da Sé de Évora, ou de um cravo.

Concentrando-nos agora no concerto dado ontem em Lisboa, no Porto acontecerá no próximo sábado na Casa da Música, pelo atual membro dos Madredeus, tratou-se de uma viagem pela sua carreira a solo, aquela que se mantém no maior dos segredos. Mas também houve alguns inéditos, dois deles compostos pelo seu companheiro de palco, o russo Alexei Tolpygo, que tem um enorme fascínio por D. Dinis e pelas cantigas de amigo em galaico-português, e também peças de Carlos Seixas e de Händel. Acabado de editar o seu quarto álbum a solo, Oriente, Carlos Maria Trindade (piano, sintetizadores e clavinet), acompanhado em palco pela cantora lírica Sara Afonso (voz e sintetizadores), que por vezes deixava o lírico de lado e tornava-se numa espécie de vocalista de uma banda pop, e o já atrás mencionado Alexei Tolpygo (violino acústico e elétrico, baixo elétrico e sintetizadores), fez então uma retrospetiva do que tem sido o seu percurso musical, onde domina a eletrónica misturada com muitas outras influências vindas de diferentes pontos do planeta. No fundo, tal como acontece com o britânico, Carlos Maria Trindade é um especialista na criação de música ambiente. Algo que ficou logo bem patente no álbum O Paraíso, o primeiro dos Madredeus a contar com os seus préstimos.

Do palco, veio um concerto competente, uma simpatia apropriada à ocasião e uma atenção em explicar as potencialidades e as características dos instrumentos que estavam a utilizar, como o caso já atrás mencionado dos sintetizadores ou do clavinet.

Momento alto foi o improviso realizado em paralelo com um vídeo multimídia, que quase nos transportou para o Museu Berardo ali mesmo ao lado. É importante realçar que a carreira de Carlos Maria Trindade não se resume à música, sempre esteve também associado a outras artes.

Carlos Maria Trindade é um “gentleman” como pessoa e um enorme músico de referência em Portugal, podendo dar-se ao luxo de fazer as mais diversas experimentações sonoras, que resultam bem tanto em estúdio como ao vivo.

Texto por João Catarino

As melodias de quatro acordeões ecoaram música ‘contemporânea’ com Danças Ocultas

O grupo musical português Danças Ocultas subiu ao palco do grande Auditório do CCB, no passado dia 5 de Maio, com a Orquestra Filarmonia das Beiras e como convidados Rodrigo Leão, Dead Combo e Carminho, para um momento musical mágico com os vários géneros musicais e instrumentais.

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Com a sala praticamente cheia, Danças Ocultas trouxeram aos portugueses algo diferente do habitual em relação ao instrumento acordeão. Com a orquestra Filarmonia das Beiras a abrir o espetáculo, começou logo por animar os espectadores com muita música jovial. Com luzes a iluminar somente o palco e a restante sala na escuridão da curiosidade, entraram os quatro músicos com os seus acordeões, que receberam de imediato calorosas palmas.

Melodias diferentes em cada acordeão se espalhavam, mas em poucos segundos que se tornavam numa só melodia ‘dançarina’, juntamente com a sonoridade das cordas da orquestra.

Após algumas músicas, Rodrigo Leão entrou em palco, por duas vezes, para partilhar a sua arte no piano com a arte que estava em palco. Assim tocaram todos em conjunto “Tardes de Bolonha” e “Danças d’Alba”. A orquestDSC_6868ra tocava, os acordeões lançavam e ‘dançavam’ notas por toda a sala, quando, do nada, entraram em palco os Dead Combo. O público não resistiu e bateu palmas, contudo a música continuava. Assim se sucedeu, num bis, na segunda parte do concerto, com a música misteriosa, ‘louca’ e deliciosa de Dead Combo.

De tranquilidade e harmonia (luzes azuis) passámos, num click, para paixão e energia (luzes vermelhas), com a calorosa voz da fadista portuguesa Carminho. A fadista deslumbrou todos os presentes com a sua voz num momento único e representativo do nosso país: Fado.

MaiDSC_7001s músicas surgiram naquela noite. Com mais um toque de passo de dança, com repetições, com muita música e com muitos sorrisos de satisfação por parte do público e dos músicos, que não só proporcionaram uma grande noite como espalharam muita alegria e muita coisa nova para os ouvidos dos portugueses.

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Texto por: Laura Pinheiro

Fotos de: Ricardo Gomes e Tiago Martinho

Rodrigo Leão levou “O Espírito de um País” ao CCB

Com o grande auditório do Centro Cultural de Belém praticamente cheio, Rodrigo Leão, juntamente com os seus companheiros e convidado especial, levou um grande momento musical ao público presente, com a simplicidade e textura das suas melodias.

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O artista fez-se acompanhar por cinco músicos – dois violinistas, um violetista, um violoncelista e a ilustre Celina da Piedade ao acordeão e, volta e meia, ao metalofone. O autor de Ave Mundi Luminare ou Cinema apresentou o espectáculo “O Espírito de um País”, erguido a propósito da comemoração dos 40 anos do 25 de Abril, e que recentemente foi lançado em formato físico.
Para além dos inéditos, o concerto levou-o a revisitar alguns dos temas mais antigos do seu reportório (“Tardes de Bolonha”, “Vida tão Estranha” ou “La Fête”) e contou com a participação especial de Camané, alvo dos maiores aplausos da noite, para soberbas interpretações de “Voltar”, a já referida “Vida tão Estranha” e o inédito “Restos da Vida”, criado propositadamente para o espectáculo. Também Celina da Piedade deixou por momentos o seu fiel acordeão para dar voz a duas canções que Rodrigo Leão diz ter escrito em conjunto com Pedro Ayres Magalhães para os Madredeus, recebidas com agrado pela plateia.

Tratou-se também de um espectáculo visual. A meio do concerto, o pano traseiro subiu e revelou quatro colunas iluminadas a laranja, que foram mudando de cor e criando um ambiente muito próprio para cada tema tocado. Com apenas 7 músicos em palco, este tornou-se pequeno para tanto talento. A alegria e sorrisos que os músicos transmitiam através das suas expressões corporais e musicais, fazia qualquer um presente na sala querer estar no lugar deles e fazer música.

Ao longo de quase duas horas, Rodrigo Leão não só apresentou “O Espírito de um País” como elevou o espírito de cada um dos presentes que naquela noite se dirigiram ao CCB para testemunharem o magnífico talento de um dos maiores génios nacionais.

Texto por Gonçalo Dias, Laura Pinheiro e Teresa Colaço.

Foto de URUGU.

Música popular eslava deslumbrou no CCB

O palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Belém recebeu o DCSH – Shostakovich Ensemble para um momento musical dedicado aos únicos dois Quartetos com piano do Compositor checo Antonín Dvorák.

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Fez 25 anos no passado dia 9 de Novembro que caiu o muro de Berlim, no mesmo dia em que este concerto se realizou e o músico e pianista português, Filipe Pinto-Ribeiro, dedicou este concerto a este momento histórico, com base no repertório que iam apresentar em palco.

Antes do início do concerto, o pianista português – considerado um poeta do piano- fez uma breve apresentação da biografia do compositor Dvorák e sobre o repertório que iam tocar. De seguida entraram os músicos que o acompanhavam em quarteto, nomeadamente, Guillaume Sutre no violino, Isabel Charisius na viola e Quirine Viersen no violoncelo. Filipe Pinto-Ribeiro referiu que reuniu neste concerto “um conjunto de músicos de exceção, vindos de Amesterdão, Lucerna e Los Angeles”.

Na primeira parte do concerto tocaram os três andamentos que constituem o Quarteto com piano nº1, op 23, transportando o público presente para um momento musical mais tranquilo e eslavo.

Na segunda parte do concerto tocaram o Quarteto com Piano nº2, op. 87 na sua totalidade, ou seja, os quatro andamentos que o constituem.

Foi um momento musical muito orquestral, levando todos os presentes na sala a um momento único, “artístico e fulgor”.

Notou-se muita musicalidade, paixão, entrega e comunicação por parte de todos os músicos. A maneira como se entregavam na música, de como o arco tocava nas cordas e os dedos vibravam, parecia que o instrumento não era só parte do corpo mas que a alma dos músicos era o instrumento.

A violoncelista holandesa, Quirine Viersen, foi a que se recebeu mais elogios por parte do público, sendo a opinião a mesma para todos: “Não tirava os olhos dela”, “ela é muito musical a tocar” ou “os movimentos dela ao tocar eram deslumbrantes”.

Com a sala do CCB praticamente cheia, no final do concerto o público aplaudiu de pé, batendo palmas fortes e gritando “bravo”, “brava”, “maravilhoso”.
O público não deixou de parte a opinião de qual foi o quarteto de que mais gostaram, “sem dúvida o nº 2, op87”.

Texto por Laura Pinheiro.

Música brasileira encanta portugueses

O pequeno auditório do Centro Cultural de Belém foi alvo de um momento musical brasileiro, abrindo as suas portas para a artista Patrícia Bastos, no passado dia 6 de Novembro

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A sala não estava ainda completamente cheia quando as luzes começaram a diminuir e em palco entrou a banda que acompanha Sona Jobarteh, seguida pela própria. Com a sua Kora à cintura, Sona conseguiu hipnotizar a audiência com a sua voz “forte e doce”. O ritmo contagiante e as melodias suaves conseguiram por o público a bater palmas, acompanhando as batidas. Sona puxou pelos presentes, para acompanharem a música cantando, mas o público mostrou-se tímido com a voz, no entanto muito expressivo com os aplausos. Fez breves introduções a algumas das suas músicas explicando que uma das músicas, sobre os idosos e a sua relação com os jovens de hoje em dia era dedicada ao seu avô, um Mestre Griot e um artista tocador de Kora. Outra, uma música de título “Amor” Sona dedicou a todas as pessoas maravilhosas na sala. Com uma grande química entre os músicos, com muitos sorrisos trocados, e acenos de incentivo, o concerto decorreu com grande alegria em palco e na plateia. Perto do final, na última música que apresentaram, um dos músicos irrompeu num momento de dança espontânea que levou ao rubro o público presente no pequeno auditório do CCB, e Sona e a sua banda saíram do palco sob fortes aplausos e pedidos de um regresso ao palco.

Após a atuação de Sona Jobarteh, entrou em palco a artista da noite, Patrícia Bastos.

Com o seu longo vestido azul com flores tipicamente brasileiras, batom vermelho nos lábios e descalça, captou logo atenção do público presente no pequeno auditório do CCB.

Cada final de cada música o público gritava “Lindo”, “Bravo”, “Maravilhoso”.
Notava-se muita alegria nos rostos dos artistas, pois tinham um sorriso de orelha e a orelha e o público ficou contagiado também, com sorrisos espalhados por todos os rostos. Batiam palmas, cantavam, dançavam e a artista brasileira puxava pelo público, fazendo com que todos os portugueses sentissem a beleza da música brasileira. Tendo um fã dito que não sabia que a música era assim tão bonita e pura.

Patrícia cantou as várias músicas que fazem parte do seu álbum “Zulusa”.
A artista brasileira não estava sozinha em palco, ao seu lado tinha vários artistas, desde da percussão, guitarras, contra-baixo e muitos outros.

A alegria e a energia era tanta que no final da atuação, Patrícia Bastos chamou ao palco Sona Jobarteh para cantarem todos juntos, salientando que apesar de falarem línguas diferentes, a linguagem musical é mesma para todos e com quase 13 artistas em palco fez-se magia e arte.

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Texto por Laura Pinheiro e Rita Silvestre.

“O Espírito de um País” de Rodrigo Leão no CCB

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O Centro Cultural de Belém irá receber, no Grande Auditório, Rodrigo Leão para um concerto “imperdível”, com Camané como convidado especial.

“O Espírito de um País”, o novo álbum de Rodrigo Leão, editado a 6 de outubro de 2014, mereceu acesso imediato no primeiro lugar no Top Nacional.

Este álbum trata-se do concerto que o músico português deu na escadaria de São Bento, em Lisboa, para assinalar os 40 anos do 25 de Abril. Camané e a Sinfonietta de Lisboa são dois dos notáveis convidados deste novo álbum de Rodrigo Leão. O CD e DVD são ambos compostos por 17 músicas.

Os concertos serão a 7 e 12 de Novembro no CCB em Lisboa e a 10 de Novembro na Casa da Música no Porto.

Rodrigo Leão é um músico e compositor português, conhecido por ser co-fundador de Sétima Legião e por ter criado os Madredeus. O músico, com uma grande carreira musical, tem contribuído muito para o enriquecimento da música em Portugal. Em 2013 compôs a banda sonora do filme “O Mordomo”, a qual foi nomeada para um Óscar.

texto por Laura Pinheiro

Yann Tiersen no CCB este domingo

Com dois concertos para o mesmo dia já esgotados, Yann Tiersen, músico francês, regressa a Portugal este domingo para uma maratona que promete ser inesquecível no grande auditório do CCB em Lisboa, com sessões marcadas às 17:00 e 21:00.
Yann Tiersen é mais conhecido pelos seus trabalhos das bandas sonoras para os filmes Good Bye, Lenin! e Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain e vem agora apresentar o seu oitavo álbum e mais recente trabalho Infinity editado em Maio deste ano, gravado largamente na inspiradora Islândia.
Artista acarinhado por Portugal já deu concertos um pouco por todo o país em outras ocasiões e a grande procura de bilhetes para este domingo levou ao anúncio de uma sessão extra para o mesmo dia. Ambas as sessões estão esgotadas, mas se ainda conseguirem bilhetes por vias não oficiais fica aqui uma sugestão para este fim de semana e uma banda sonora para o vosso dia: