Guilty Pleasures

Acho que vou aceitar o ‘elogio’ de quando dizem que sou uma caixinha de surpresas, e quando se fala de música sou realmente uma verdadeira caixinha de surpresas. Para quem me conhece sabe que sou muito feminina, ou falando em termos mais populares, a “Girly Girl”. Geralmente, as “Girly Girls” só gostam de coisinhas fofinhas, ‘pinkies’, pop music, mas quem me conhece verdadeiramente sabe que não tenho só esse lado, tenho muitos mas muitos lados. Eu acho que vim ao mundo para quebrar essa regra. Não é um vestuário ou um estilo que vai definir o meu gosto de musical. Então, que importa as regras? Quem faz as regras és tu! Isto para dizer que eu tenho um ‘dark side’, não no sentido literal, mas considero esse lado como o lado oposto do “girly girl”, portanto, confesso sem medo que gosto e muito de rap, sim RAP! Aliás, desde de miúda que acompanho este estilo musical e tenho grandes ícones do rap no meu dicionário e biblioteca musical. Na minha opinião, é um estilo musical muito frontal, usando a poesia das palavras em melodias um pouco diferentes do habitual, não é a guitarra ou o piano que aqui interessa, mas sim o que dizem e como o dizem. “Tem dias que só a música é capaz de descrever os meus sentimentos”, e o rap faz isso mesmo.

Primeiro começamos por aquele que acho que é o rei, e claro que estou falar de Eminem. Eminem foi sem dúvida um artista que revolucionou a música, a sociedade, as palavras, o mundo. É um dos melhores artistas de todos os tempos. ‘Sem papas na língua’, Eminem conquistou mortais e imortais.

A seguir, menciono 50 cent. Não tão bom quanto Eminem, mas o mesmo também revolucionou o mundo musical, não pelos mesmos motivos, mas por outros tantos que marcaram. Um rapper que sabe o que faz, o que diz e o que pensa.

E quem disse que as mulheres não podiam ‘rapar’? Missy Elliot é atualmente a rapper feminina mais bem-sucedida de todos os tempos. Conquistou o meu coração, não com a sua simplicidade mas com a sua frontalidade musical.

Vamos agora voar dos E.U.A para Portugal, com Boss AC, Valete e SAM The Kid. Rappers portugueses que sem dúvida transformaram o mundo musical e a mentalidade portuguesa nesta nova geração. Boss AC, por um lado, o pioneiro do hip hop português. Valete com dois álbuns editados e cerca de 11 000 cópias vendidas, e Sam The Kid, um dos rappers mais influentes do panorama nacional de Hip-Hop. Portanto, Portugal está bem entregue à arte do rap, nova mentalidade, nova geração se avizinha.

Texto por Laura Pinheiro

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Pegar num álbum que nunca tenha ouvido de um artista/banda que desconheça e tentar fazer uma análise e descobrir um pouco mais desse artista

Para ser sincero, fugi um pouco ao desafio da Vera, isto porque o artista que escolhi é alguém que não desconhecia totalmente… mas quase. Estou a falar de Boss AC e o disco escolhido “AC para os amigos”, que tem um dos pouquíssimos temas que já conhecia deste senhor “Sexta-Feira (Emprego Bom Já)”. O resto era totalmente novo para mim.

A minha escolha relaciona-se com o desejo que tive, em função do desafio lançado, de entrar num universo que pouco conheço e domino. No fundo, era assim porque não gostava de hip-hop. Mas como nunca me dediquei a ouvir com calma um álbum inteiro deste género musical, acabava por ter a consciência um pouco pesada e por vezes subsistia a dúvida “será que só não gosto de hip-hop porque nunca o ouvi com a atenção devida?”. Foi para esclarecer esta questão, que decidi escolher um disco de um artista hip-hop português conhecido.

A primeira coisa que me vem à memória sobre este artista é a história de um ex-colega de uma loja conhecida, que me contou que uma vez uma cliente se virou para ele e lhe perguntou pelos discos do Bossac. Perante isto, o funcionário da loja ficou sem saber muito bem o que responder, informando a cliente que nunca tinha ouvido falar em tal nome. De qualquer forma, e para descargo de consciência, decidiu ir falar com o colega da música clássica, já que o nome lhe soava melhor para essa área musical. Mas na música clássica também ninguém tinha ouvido falar em tal nome. Foram precisos uns bons minutos para todos perceberem o que é que a senhora realmente queria e foi com dificuldade que evitaram o riso à frente da cliente.

Boss AC é de origens cabo verdianas e filho da cantora Ana Firmino. Participou na compilação “Rapública”, que reunia aqueles que eram então os melhores rappers nacionais. O seu álbum de estreia é de 1998 e tem como título “Mandachuva”. Depois disso, lançou mais quatro álbuns, o último dos quais em 2012 com o nome “AC para os amigos”, que conta com convidados como Rui Veloso e Gabriel O Pensador, e é exatamente neste álbum que eu decidi investir algum do meu tempo… ainda o ouvi umas 5 vezes, que era para não ter dúvidas relativamente ao que vou escrever a seguir.

Não gostava de hip-hop… e continuo a não gostar, mas agora digo-o com mais convicção e legitimidade. Boss AC tem sem dúvida um talento apurado para a construção de rimas, mas de resto o que encontro é alguém a cantar sempre de forma idêntica, a melodia vocal é sempre a mesma, só interrompida com refrões um pouco mais melódicos e cantados quase sempre por outros. Foi para mim deveras cansativo ouvir este disco na totalidade por cinco vezes. No fundo, é tudo muito repetitivo e igual do princípio ao fim. Poderá dizer-se que é isso que define o estilo hip-hop, pois… mas eu não gosto e tenho algumas dificuldades em encará-lo enquanto música, vejo antes nele algo mais virado para os sociólogos analisarem… quem faz hip-hop, porque é que o faz, para quem o faz, quais os objetivos do estilo, etc..

No entanto, não queria deixar de destacar que também eu me deixei encantar pelo tema “Sexta-Feira (Emprego Bom Já)”, sem dúvida mais pop. É pena o disco não ser todo assim.

Por fim, vem a conversa da crítica política e social, mas se só alguns têm legitimidade para fazer crítica musical, também só alguns a têm para falar de política e da sociedade e os cantores não estão com certeza nesse grupo. E isto vai ao encontro de outra coisa que me faz confusão neste estilo musical, o dizer as coisas como se fosse o dono da verdade.

Acabo dizendo que respeito totalmente quem gosta e canta hip-hop, e que vai discordar por completo com o que disse atrás, mas as coisas em democracia são mesmo assim… e ainda bem!!!

Texto por João Catarino.