O romantismo de Bruckner e da OSM abriu ‘alas’ ao mês de Fevereiro

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O mês mais romântico do ano, Fevereiro, não poderia começar da melhor forma: no Centro Cultural de Belém, com uma sinfonia de um compositor romântico, com a Orquestra Sinfónica Metropolitana, com um grande maestro, Emilio Pomàrico, e com “uma obra monumental, irrepreensivelmente sólida do ponto de vista técnico e carregada de poder expressivo”.

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O poder expressivo da Sinfonia nº 8 de Bruckner levou a Orquestra Sinfónica Metropolitana a “arrancar” lágrimas do público no passado dia 1 de Fevereiro no Centro Cultural de Belém. A OSM (Orquestra Sinfónica Metropolitana) foi muito elogiada, tendo sido referido que a Orquestra já não tocava assim há algum tempo, e que foi preciso um Maestro como Emilio Pomàrico para “arrancar” a verdadeira orquestra que ela é e tocar da maneira que tocou: muito bem.

A orquestra tocou a Sinfonia na sua plenitude, ou seja, foram tocados os 4 andamentos que compõem a Sinfonia nº8 de Bruckner. Neste concerto não se viu o lado mais ‘ selvagem’ de Bruckner, mas sim o lado mais romântico e mais ‘suave’ do compositor, pois o maestro dominava a batuta que toda a orquestra não resistia em seguir e deixar-se fluir com os instrumentos e a música surgiu, criando sensações de arrepios no público. Mal que o maestro baixa a batuta e os músicos levantam os arcos, o público gritou “bravo”, estando todos de pé aplaudindo com imensa força, assobiando sem parar e muitos com os dedos a passar pelo canto inferior dos olhos para limpar as lágrimas de emoção.
Um momento musical que levou músicos, maestro e público a sentirem momentos únicos de nostalgia que esta sinfonia, maestro e orquestra proporcionaram.

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Fotos de: Ricardo Gomes e Tiago Martinho

texto por Laura Pinheiro

Orquestra Sinfónica Metropolitana em concerto romântico e contemporâneo

Um dos concertos mais esperados da Temporada Sinfónica 2014/2015, a Orquestra Sinfónica Metropolitana executou a Sinfonia nº4 de Antoin Bruckner, e a “Onze cartas” de António Pinho Vargas, dirigida pelo Maestro Michael Zilm, no passado dia 23 de Novembro no grande auditório do Centro Cultural de Belém.

Foto: Laura Pinheiro

Foto: Laura Pinheiro

A sala do grande auditório do CCB não estava esgotada, mas os presentes com os seus sorrisos e a ansiedade de ver este “grande concerto” enchiam a sala na sua totalidade. Na primeira parte do concerto foi apresentado em palco a obra “Onze Cartas”, de António Pinho Vargas, tendo sido terminada em 2011, e a mesma foi composta como resultado de uma encomenda conjunta do Centro Cultural de Belém, da Casa da Música e do Teatro Nacional de São Carlos. Trata-se de uma peça contemporânea, com grande recurso às percussões, em que a orquestra interage com a audição de três narradores, que leem textos de Italo Calvino, Jorge Luis Borges e Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), em registos pré-gravados, que articulam de forma “extraordinária com as sucessivas texturas” da orquestra. No final da peça, o próprio António Pinho Vargas subiu ao palco, sendo chamado pelo maestro para também ele ser aplaudido de pé.

Depois do intervalo foi-nos servido o “prato forte” deste final de tarde, com a interpretação da Sinfonia n.º 4 em Mi Bemol maior, WAB 104, Romântica, de Anton Bruckner, compositor austríaco do século XIX.

Esta sinfonia, escrita em 1874, é composta por quatro andamentos e foi tocada pela orquestra na sua integridade. É considerada a sinfonia mais famosa deste compositor. Muito influenciado pelo compositor alemão Richard Wagner, Bruckner é das figuras mais desconcertantes da música do seu século. Tal como muitas outras partituras deste compositor, também esta sofreu diversas revisões, tendo-se ouvido no CCB a versão de 1880, que foi a apresentada na sua estreia em 1881. Também se chama “Romântica” porque é inspirada nas “lindíssimas paisagens campestres austríacas”. São várias as alusões à atividade da caça, notórias no terceiro andamento. A sinfonia inicia-se de forma lenta. Segue-se um Andante “de pendor mais nostálgico e bucólico, ao ritmo de uma procissão”. Já no terceiro andamento, “a parte mais conhecida desta sinfonia, a impetuosidade rítmica é pontuada pelos chamamentos da trompa, com as tais alusões à caça”. Por fim, contrariando quaisquer expetativas triunfalistas, predomina uma ambiência soturna e atormentada.

Reveladora do tempo e do local onde nasceu, esta sinfonia, e a forma como foi interpretada, com muitos momentos verdadeiramente “fantásticos”, deixaram o público presente extremamente satisfeito, o que ficou demonstrado no final do concerto com uma enorme, e longa, ovação de pé ao Maestro e a toda a Orquestra.

Como maestro tivemos o Michael Zilm, que não usou qualquer espécie de partitura de apoio durante toda a sinfonia de Bruckner, dirigindo a orquestra com encanto. Nascido em Estugarda em 1957, começou a estudar violino aos seis anos. A partir de1989 manteve uma estreita colaboração com a Orquestra Gulbenkian. Desde a temporada 2005/2006 tem colaborado regularmente com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Esta, estreou-se no dia 20 de junho de 1992 e desde então tem vindo a assegurar uma intensa atividade, caracterizada pela qualidade e versatilidade. Nos programas sinfónicos, jovens intérpretes da Academia Nacional Superior de Orquestra juntam-se à Metropolitana para fazerem música em conjunto.

Texto por João Catarino e Laura Pinheiro