O concerto que mais me marcou

Quando lancei este desafio já sabia perfeitamente sobre que concerto iria falar. Mas, com o passar do tempo e enquanto lia os textos dos meus colegas, fui-me apercebendo de que se calhar o concerto que mais marcou tinha sido outro.

Fui ao Alive de 2010 para ver uma só banda: Deftones. Tinha-os visto uns meses antes no Tivoli e gostei tanto que fiz questão de repetir a experiência. Mas, naquele 9 de julho, acabaria por ser outra banda a marcar a minha noite. Quando um atraso no voo dos Deftones atrasou também a hora do Meet & Greet, dei por mim com uma hora livre em pleno festival. Resolvi então ir espreitar o palco secundário, que estava a abarrotar. Eram os Gossip a razão de tanta afluência. Fiquei para ver e deixei-me convencer por aquele pop tão dançável e tão energético da banda de Beth Ditto. Marcou-me imenso não só porque não conhecia mas porque talvez se não tivesse sido aquele concerto eu ainda hoje vivesse na bolha da música mais pesada, onde é cool virar a cara ao pop ou gozar o indie. Do próprio concerto não me lembro de muita coisa, apenas de que estava tanta gente que eu nem via o palco nem os dois ecrãs ao lado dele e de que isso não fez diferença nenhuma, foi excelente ainda assim.

Texto por Teresa Colaço.

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O concerto que mais me marcou

A minha experiência em ver e ouvir música no seu estado mais puro, resume-se numa linha apenas: cinco festivais e dois concertos em salas, estes últimos vividos há pouquíssimos dias. Relativamente bom para quem tem pouco mais de duas décadas de vida, mas bastante paupérrimo para alguém que tem na música o seu oásis sagrado.

Mais facilmente construiria um texto acerca dos concertos que mais me arrependo de não ter ido, mas o desafio é mesmo escolher de entre os poucos o mais memorável. E a natureza da tarefa leva-me a pensar o que verdadeiramente constitui um concerto marcante. A ansiedade e expectativa que fomos acumulando? A perfeita organização da setlist? A entrega dos músicos? A atmosfera do recinto? A distância a que nos encontramos do palco? A companhia que levamos?

Chego à conclusão que todas elas importam e é assim que descubro o meu concerto de eleição: Alt-J no Alive 2013. Foi o meu primeiro ano no festival do Passeio Marítimo de Algés que se tornou inesquecível precisamente pela perfeita ordenação de todos esses parâmetros. Tinham-se passado poucos meses da sua vitória do Mercury Prize pelo excelente An Awesome Wave (2012) e todos os que ali se encontravam estavam preparados para comungar ao som da banda do triângulo que não tinha como falhar. A noite era deles.

O som fazia tremer a terra e as paredes da tenda Heineken, a rebentar pelas costuras, mas a transbordar de magia com a atmosfera que ali se vivia. Os corpos dançavam ao sabor das melodias hipnóticas, demasiado embrenhados num transe profundo que não dava azo a inibições ou arrependimentos. As vozes clamavam com fervor aqueles cânticos que encerram em si mantras e prosas antigas de civilizações perdidas – vá, não tanto mas é o que parece  – que nos fazem sentir membros honorários de uma qualquer sociedade secreta. Um sonho dentro do próprio sonho.

O trio de Leeds tem regresso marcado para este mesmo festival a 9 de Julho próximo, mas dificilmente conseguirão superar a visita inaugural: agora são um trio; An Awesome Wave terá que partilhar espaço com o menos inspirado This Is All Yours; provavelmente serão promovidos para o palco de maiores dimensões e nem a expectativa e a companhia serão as mesmas.

O tempo não o apagará da minha memória, mas certamente que o futuro me trará outros tantos concertos de figurarem nesse honroso panteão.

Texto por Gonçalo Dias.