Bandas e músicos portugueses a cantar em Inglês… qual a tua opinião?

SamTheKid (STK), um dos artistas que melhor usa a nossa língua, aponta no booklet de Pratica(mente) que o problema não é cantar em inglês, mas sim a construção de uma identidade própria e o “amor, dedicação e alguma originalidade” associados. Autor da música que mais contribuiu para esta discussão, “Poetas de Karaoke”, gerando a indignação de artistas que usam a língua inglesa como Moonspell ou Legendary Tigerman, acrescenta: “Isto não é para quem pode, é para quem quer (…) porque se a evolução for encarada como um trabalho sem gosto, mais cedo ou mais tarde irás desistir.”

A verdade é que na última década e meia o Rock português tornou-se uma minoria nas escolas, sendo substituído pelo Hip-Hop e outros estilos de música urbana, essencialmente devido à “oralidade praticada no dia-a-dia pelos jovens desta geração (…) e “quando pensamos numa banda de rock português vêm-nos à cabeça os míticos Xutos e Pontapés, que cantam em português e são de outra geração”, de acordo com o mesmo autor.

As palavras de STK datam de 2006 e observamos a sua confirmação nos anos seguintes: se podemos atualmente falar de uma identidade para o Rock português, essa será assumida por bandas como Linda Martini ou artistas como Samuel Úria, destaques de uma explosão de carácter alternativo/independente – perante o olhar atento de veteranos como Mão Morta, entre outros -, com um fator comum: a língua portuguesa.

A massificação ocorrida no Hip-Hop, como refere, mais uma vez, STK, “faz com que apareçam cinquenta mil Mc’s de pára-quedas, noventa por cento deles desistem mas, por outro lado, nos outros dez por cento existe a possibilidade de sair dali um Mc que vai fazer a arte evoluir, inspirando outros Mc’s.” É disto que se trata: de referências que inspirem outros e façam evoluir a arte. É a renovação dentro dos diferentes estilos musicais que está em causa quando se fala de identidade e, por consequência, da própria música portuguesa.

“Vocês fazem turismo de emoções que os outros sentem/ Eu faço culturismo de expressões que todos sentem”      (STK, Poetas de Karaoke)

texto por Zé Revés

“Alma Gémea”, de SamTheKid

O núcleo de Beats Vol.1 : Amor: o momento da paixão e casamento dos pais de SamTheKid.

“Alma Gémea” é uma miríade de sonoridades, desde os risos femininos dispersos em delays a samples belíssimos de Maria Bethânia, no meio de um trabalho rítmico impressionante, em que destaco os crashs que parecem dançar constantemente com a tarola.

Tudo tocado “ao vivo, diretamente para o DAT que serviu de Master para a produção do álbum”, como referiria, mais tarde, o seu editor Rui Miguel Abreu em texto na Blitz, “pois Sam ainda não utilizava as possibilidades de sequenciação permitidas pela máquina da Akai”.

Outros tempos…

texto por Zé Revés

Rei do rock progressivo português na ETIC

José Cid será o primeiro convidado das Guestsessions, um espaço de conversa criado pela área de Som e Música, dia 28 de Outubro pelas 17h na ETIC.

No seguimento daquilo que tem sido realizado ao longo dos anos, a ETIC enriquece a formação dos seus alunos com a presença de nomes marcantes. Este ano, o convidado inicial é José Cid, nome incontornável da música portuguesa, que será acompanhado por Miguel Ângelo, coordenador do curso Produção e Criação Musical.

Principalmente conhecido por canções como “A Cabana Junto à Praia” ou “Como o Macaco Gosta de Banana”, o autor natural do distrito de Santarém, principiou a sua carreira como integrante do Quarteto 1111, editando o primeiro disco em 1970; prosseguiu com um disco a solo onde tocou todos os instrumentos e deixou o Quarteto em 1975 após o lançamento de Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas.

Concorrente habitual ao Festival Eurovisão da Canção, lançou em 1978 aquela que é por muitos apontada como a sua obra-prima, 10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte, um disco aclamado fora de portas e incluído numa lista de 100 melhores de rock progressivo de todos os tempos, organizada pela revista americana Billboard.

Em entrevista à Blitz, em 2006, defendeu o seu papel na música portuguesa: “Nunca fui coerente e gravei coisas boas e coisas más. Mas o meu muito bom é do melhor que se faz na música popular portuguesa desde sempre. E o meu muito mau é, de qualquer forma, melhor do que o ótimo do Tony Carreira”.

texto por Zé Revés

“Os U2 desvalorizaram completamente a sua música”, diz o baterista de Black Keys

Em entrevista ao Seattle Times Wednesday, Patrick Carney junta a sua voz ao coro de críticas à banda irlandesa depois de colocarem o seu álbum para audição gratuita.

“A sua atitude lança uma mensagem dúbia para as bandas, sobretudo aquelas que têm sentido maiores dificuldades em se impor. Eles provavelmente pensaram que seria algo super-generoso fazê-lo”, aponta Carney.

Por seu lado, Bono, o líder dos U2 e de acordo com a Rolling Stone, expressara recentemente o seu arrependimento num Facebook Q&A quando confrontado por um fã. “Oops, peço desculpa por isso. Eu tive esta bonita ideia e decidimos pô-la em prática. Nós, artistas, temos a tendência para misturar megalomania, generosidade, auto-promoção e um medo profundo de que estas músicas a que dedicámos as nossas vidas nos últimos anos possam não ser ouvidas.”

Carney afirmou ainda ao Seattle Times Wednesday que a razão de os Black Keys não terem disponibilizado os seus dois últimos álbuns, El Camino e Turn Blue, para serviços de streaming como o Spotify não é a sua oposição a esta forma de partilha de música, que ele considera inevitável no futuro, mas sim o facto de os artistas não serem devidamente compensados.

“O meu argumento é: se alguém está a fazer dinheiro com tudo isto então o artista deve receber também uma parte justa,” defende Carney. “O dono da Spotify tem 30 anos e sem nunca ter escrito uma única música na vida é hoje mais rico que Paul McCartney!”

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texto por Zé Revés

Novo álbum de Kanye West “é como um par de Timberlands”

Em declarações à Rolling Stone, colaborador directo do rapper norte-americano compara o novo trabalho às famosas botas.

Kanye West

Malik Yusef, elemento essencial no trabalho de Kanye West desde os seus primeiros passos no comando das operações, afirma que existem 20 canções completas para o sucessor de Yeezus e que aquele se prepara, mais uma vez, para alterar as coordenadas.

“Este álbum é diferente. É como um par de Timberlands, cuja pele não é inteiramente camurça nem couro. Não é o som brando de Chicago nem um Hip-Hop agressivo. Nós continuamos a trabalhar compulsivamente e temos percorrido o mundo inteiro a desenvolver as nossas ideias.“Yusef afirma que as gravações têm decorrido de uma forma bem mais pacífica do que no último álbum de West, com a mudança então promovida na sua música a causar sérios problemas. “Lutámos durante a gravação de Yeezus todos os dias,” diz, entre risos. “Não havia desacordos amigáveis, era definitivamente uma guerra! Ele dizia-me: ‘Eu não quero saber Malik! Este é um álbum de Kanye, não de Malik Yusef!’ Atirou-me para fora do estúdio oito vezes!”

Segundo a mesma publicação, o rapper Theophilus London confirmou, no mês passado, através de uma fotografia com Kanye, que o álbum se encontrava em andamento, depois de este ter revelado em Julho, à GQ, o seu desejo de lançar o novo álbum ainda em 2014. “Pensava que o álbum poderia sair em Junho, como Yeezus, e “abanar” o Verão, mas a minha ligação com a Adidas e a vontade de estar com o meu filho impediram que assim fosse.”

Em Agosto chegou a ser lançada uma amostra do primeiro single “All day”, tendo sido imediatamente retirada.

texto por Zé Revés

Zé Revés

Sempre tive interesse em conhecer as características de cada álbum e o contexto específico que esteve na sua origem através de sites como “Allmusic” ou “Pitchfork”, desde “monumentos” como “The Wall”, de Pink Floyd, até à pureza de “Five Leaves Left”, de Nick Drake. A prática da guitarra elétrica e imitação de bandas como Pearl Jam, Guns N’Roses ou Megadeth não impediu que adquirisse, em 2006, o “Pratica(mente)”, de SamTheKid, talvez prenunciando a sua (re)descoberta recente como um álbum de uma riqueza impressionante.

texto por Zé Revés