“Soul Below”, de LJones

Já não sei como cheguei a este artista e a esta música em particular mas chamou-me desde logo a atenção. No seu bandcamp, não é possível observar muita informação sobre o autor, apenas de que Ljones é canadiano e teve a aprendizagem normal de cada beatmaker.
Como aquilo que interessa é a música, aí está uma ideal para animar este dia chuvoso.

Texto por Zé Revés.

Ty Segall

Lux, Lisboa – 25 Out. 2014            Fotografia inicial

Depois de uma longa espera na fila, quando cheguei à sala os franceses JC Satan já iam lançados e o contacto foi breve, mas deu para ficar desde logo com uma excelente impressão e considerá-los uma entrada perfeita. A rever numa próxima oportunidade.

Logo de seguida, de regresso a Portugal com Manipulator fresquinho na mão, depois da atuação no último NOS Primavera Sound, no Porto, e quatro anos depois da estreia no Barreiro Rocks, Ty Segall tem à sua frente um Lux completamente esgotado e devoto: após uma introdução feita pelo manager da banda, que se apresenta como o mestre-de-cerimónias e chapéu de cowboy na cabeça, o concerto foi simplesmente explosivo, com o americano natural de Laguna Beach a mostrar porque é hoje considerado um dos grandes nomes do Rock&Roll, viajando desde o Garage ao Punk no meio de uma aura glam com que pretende homenagear o seu ídolo Bowie.

Fotografia

Começando pela música homónima que abre Manipulator e avançando por algumas das mais desejadas como “Slaughterhouse”, “You’re the Doctor” “Feel” ou “Thank God For Sinners”, não houve grandes pausas, a não ser para um tímido “Obrigado”, algumas complicações técnicas e um ou outro momento de interação com o público. Havia sempre alguém em crowdsurf, com o próprio Ty Segall a aventurar-se sem nunca parar de incendiar a guitarra na companhia da sua “máquina” Mikal Cronin no baixo, Charles Moothart na guitarra e Emily Epstein na bateria.

No fim do encore a que tivemos direito, senti que valeu totalmente a pena e percebi o que fez dois dos meus amigos deslocarem-se, em Junho deste ano, ao já mencionado Primavera Sound no Porto, expressamente para vê-lo tocar. É impossível ficar indiferente.

Músico(s)/banda(s) portuguesas que mais vos têm marcado

Gosto acima de tudo de artistas que, como acontece com o rapper de Chelas que já destaquei em oportunidade anterior, transparecem um carácter genuíno em tudo aquilo que fazem, com uma atitude de respeito para com a cultura que representam. Desta vez abordarei três nomes: Linda Martini, Samuel Úria e Mão Morta.

No primeiro caso, Linda Martini é uma banda que lançou o seu primeiro álbum, Olhos de Mongol em 2006 e desde então tem vindo a crescer no panorama do Rock português. As suas músicas, umas mais complexas que outras, são acima de tudo sinceras. As letras são cruas e honestas. A atitude da banda – de quem confesso nunca vi qualquer espetáculo -, é a de um grupo de amigos que se junta e faz música. E assim certamente será sempre mais fácil fazê-lo e de existir uma comunhão de ideias.

No caso de Samuel Úria, falamos de um artista cujas letras são completamente o oposto dos anteriores: poeticamente elaboradas, um verdadeiro cantautor na senda de Fausto, Sérgio Godinho, etc. O artista vindo de Tondela traz as raízes a si agarradas e nunca perde aquela intensidade e simplicidade, por mais que viva rodeado de guitarras elétricas e malta com ideias tão diversas como a das editoras independentes. O último álbum, Grande Medo do Pequeno Mundo, é espantoso.

Por último, Mão Morta. Sinceramente, de todos os álbuns que ouvi deles, aquele que me chamou mais a atenção foi Nús. Logo a primeira música, Gumes, de 20 e tal minutos, chegaria para explicar Mão Morta: sem barreiras, sem leis, apenas seguindo o instinto predador de Adolfo Luxúria Canibal. Ao mesmo tempo, de todos os que ouvi, foi aquele que me pareceu ter uma produção melhor. Depois, há aquela interpretação do universo do Conde de Lautréamont, no espetáculo que a banda fez e que levou a palco os Cantos de Maldoror: que banda melhor do que Mão Morta para, na nossa língua, recriar todo aquele cenário surrealista?

texto por Zé Revés

Bandas e músicos portugueses a cantar em Inglês… qual a tua opinião?

SamTheKid (STK), um dos artistas que melhor usa a nossa língua, aponta no booklet de Pratica(mente) que o problema não é cantar em inglês, mas sim a construção de uma identidade própria e o “amor, dedicação e alguma originalidade” associados. Autor da música que mais contribuiu para esta discussão, “Poetas de Karaoke”, gerando a indignação de artistas que usam a língua inglesa como Moonspell ou Legendary Tigerman, acrescenta: “Isto não é para quem pode, é para quem quer (…) porque se a evolução for encarada como um trabalho sem gosto, mais cedo ou mais tarde irás desistir.”

A verdade é que na última década e meia o Rock português tornou-se uma minoria nas escolas, sendo substituído pelo Hip-Hop e outros estilos de música urbana, essencialmente devido à “oralidade praticada no dia-a-dia pelos jovens desta geração (…) e “quando pensamos numa banda de rock português vêm-nos à cabeça os míticos Xutos e Pontapés, que cantam em português e são de outra geração”, de acordo com o mesmo autor.

As palavras de STK datam de 2006 e observamos a sua confirmação nos anos seguintes: se podemos atualmente falar de uma identidade para o Rock português, essa será assumida por bandas como Linda Martini ou artistas como Samuel Úria, destaques de uma explosão de carácter alternativo/independente – perante o olhar atento de veteranos como Mão Morta, entre outros -, com um fator comum: a língua portuguesa.

A massificação ocorrida no Hip-Hop, como refere, mais uma vez, STK, “faz com que apareçam cinquenta mil Mc’s de pára-quedas, noventa por cento deles desistem mas, por outro lado, nos outros dez por cento existe a possibilidade de sair dali um Mc que vai fazer a arte evoluir, inspirando outros Mc’s.” É disto que se trata: de referências que inspirem outros e façam evoluir a arte. É a renovação dentro dos diferentes estilos musicais que está em causa quando se fala de identidade e, por consequência, da própria música portuguesa.

“Vocês fazem turismo de emoções que os outros sentem/ Eu faço culturismo de expressões que todos sentem”      (STK, Poetas de Karaoke)

texto por Zé Revés

“Alma Gémea”, de SamTheKid

O núcleo de Beats Vol.1 : Amor: o momento da paixão e casamento dos pais de SamTheKid.

“Alma Gémea” é uma miríade de sonoridades, desde os risos femininos dispersos em delays a samples belíssimos de Maria Bethânia, no meio de um trabalho rítmico impressionante, em que destaco os crashs que parecem dançar constantemente com a tarola.

Tudo tocado “ao vivo, diretamente para o DAT que serviu de Master para a produção do álbum”, como referiria, mais tarde, o seu editor Rui Miguel Abreu em texto na Blitz, “pois Sam ainda não utilizava as possibilidades de sequenciação permitidas pela máquina da Akai”.

Outros tempos…

texto por Zé Revés

Rei do rock progressivo português na ETIC

José Cid será o primeiro convidado das Guestsessions, um espaço de conversa criado pela área de Som e Música, dia 28 de Outubro pelas 17h na ETIC.

No seguimento daquilo que tem sido realizado ao longo dos anos, a ETIC enriquece a formação dos seus alunos com a presença de nomes marcantes. Este ano, o convidado inicial é José Cid, nome incontornável da música portuguesa, que será acompanhado por Miguel Ângelo, coordenador do curso Produção e Criação Musical.

Principalmente conhecido por canções como “A Cabana Junto à Praia” ou “Como o Macaco Gosta de Banana”, o autor natural do distrito de Santarém, principiou a sua carreira como integrante do Quarteto 1111, editando o primeiro disco em 1970; prosseguiu com um disco a solo onde tocou todos os instrumentos e deixou o Quarteto em 1975 após o lançamento de Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas.

Concorrente habitual ao Festival Eurovisão da Canção, lançou em 1978 aquela que é por muitos apontada como a sua obra-prima, 10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte, um disco aclamado fora de portas e incluído numa lista de 100 melhores de rock progressivo de todos os tempos, organizada pela revista americana Billboard.

Em entrevista à Blitz, em 2006, defendeu o seu papel na música portuguesa: “Nunca fui coerente e gravei coisas boas e coisas más. Mas o meu muito bom é do melhor que se faz na música popular portuguesa desde sempre. E o meu muito mau é, de qualquer forma, melhor do que o ótimo do Tony Carreira”.

texto por Zé Revés

“Os U2 desvalorizaram completamente a sua música”, diz o baterista de Black Keys

Em entrevista ao Seattle Times Wednesday, Patrick Carney junta a sua voz ao coro de críticas à banda irlandesa depois de colocarem o seu álbum para audição gratuita.

“A sua atitude lança uma mensagem dúbia para as bandas, sobretudo aquelas que têm sentido maiores dificuldades em se impor. Eles provavelmente pensaram que seria algo super-generoso fazê-lo”, aponta Carney.

Por seu lado, Bono, o líder dos U2 e de acordo com a Rolling Stone, expressara recentemente o seu arrependimento num Facebook Q&A quando confrontado por um fã. “Oops, peço desculpa por isso. Eu tive esta bonita ideia e decidimos pô-la em prática. Nós, artistas, temos a tendência para misturar megalomania, generosidade, auto-promoção e um medo profundo de que estas músicas a que dedicámos as nossas vidas nos últimos anos possam não ser ouvidas.”

Carney afirmou ainda ao Seattle Times Wednesday que a razão de os Black Keys não terem disponibilizado os seus dois últimos álbuns, El Camino e Turn Blue, para serviços de streaming como o Spotify não é a sua oposição a esta forma de partilha de música, que ele considera inevitável no futuro, mas sim o facto de os artistas não serem devidamente compensados.

“O meu argumento é: se alguém está a fazer dinheiro com tudo isto então o artista deve receber também uma parte justa,” defende Carney. “O dono da Spotify tem 30 anos e sem nunca ter escrito uma única música na vida é hoje mais rico que Paul McCartney!”

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texto por Zé Revés