“Highway Moon” de Best Youth

1349084796_Best Youth 01 - by João Sousa le-joy.org

Highway Moon

Best Youth

2015

Classificação: 4/5

Beber uma caipirinha, de cigarro na mão, a suspirar por um passo de dança com o corpo livre e tranquilo a observar as histórias que as estrelas formem numa noite quente de verão é o que apetece fazer  (e sentir) ao ouvir Highway Moon, o disco de estreia do duo português Best Youth.

As onze músicas que compõem o álbum são viciantes, tornando-o sofisticado e delicado ao comando do indie pop. Feito à medida do timbre particular de Catarina Salinas (vocalista), Ed Rocha Gonçalves leva-nos pelo desfiladeiro da curiosidade e descobrimento de novos horizontes musicais para os ouvidos comuns. Highway Moon oferece-nos a oportunidade de voar pelo mundo da electrónica, da dança e da nostalgia. No entanto, não foge às regras da fragilidade, da sensualidade e das lágrimas de tristeza. Dois mundos opostos que se unem num só com apenas dois corpos a controlar as normas do que se deve sentir.

Foram precisos 3 anos (entre o EP e o LP) para amadurecerem e renovar o velho para o novo mais requintado e marcarem, com mais convicção, a presença do “eu”  nas onze músicas que compõem o disco.  Ainda bem que o fizeram! O toque de requinte deste álbum é deveras viciante e é impossível ficar indiferente à musicalidade de ambos, em particular, à voz sensual da vocalista. A caipirinha no inicio da noite não vai ser suficiente… com a luz da lua cheia a iluminar a noite, vão ser precisos dois passos de dança para brindar ao talento português, aos Best Youth e ao Highway Moon.

Texto por: Laura Pinheiro

David Fonseca “Futuro Eu”

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“Futuro Eu” é o primeiro avanço para o novo ciclo da carreira de David Fonseca. Artista com uma criatividade enorme, não soube no entanto aproveitá-la nestes últimos anos, preferindo acomodar-se à sombra do sucesso que um público específico, gente jovem que vai para os concertos mais preocupado com as selfies do que com o espetáculo em si, lhe garantia, tornando-se previsível e caindo numa rotina artística que já não acrescentava nada de novo.

Chegados a 2015, e depois de um 2014 marcado pelo regresso dos Silence 4, David Fonseca apresenta-nos uma nova música, e respetivo vídeo, que nos deixa com vontade de ouvir o álbum que aí vem. O artista de Leiria volta a surpreender-nos como já não o fazia há muito tempo. “Futuro Eu” é uma grande canção e revela uma ambição que esteve abafada durante alguns anos. O respetivo vídeo só vem confirmar e reforçar tudo isso.

Há uma coisa que é importante também destacar, o cantor interpreta o tema em português, algo que só me apercebi à décima audição, o que só revela que David Fonseca se adaptou da melhor forma, o ter já feito no passado terá ajudado, ao cantar em português.

Texto por João Catarino

O festival com o melhor cartaz em 2015

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Quando os festivais vingaram em definito em Portugal, já eu tinha uma certa idade e por isso nunca embarquei naquela lógica de festivaleiro e de ir a um desses eventos mais pelo acontecimento em si do que propriamente pelas bandas que lá vão atuar.

O que me leva sempre a ir a um festival não é, nem nunca foi, o estar em determinado ambiente ou local, os “presentes” que por lá oferecem, o consumo de álcool ou lá do que seja, ou então para dizer a toda a gente que estou ali e que por isso, vá-se lá saber porquê, sou o maior.

O que sempre fez com que comprasse um bilhete para um festival foi uma banda específica que o cartaz oferecia. Diga-mos que ao comprar o bilhete, na minha cabeça era quase como se estivesse a comprar para um concerto normal, num qualquer local.

Este ano, e pela primeira vez, adquiri um passe para a totalidade de um festival. Estou a falar do Super Bock Super Rock 2015, que na minha opinião é aquele que apresenta o melhor cartaz para a temporada que aí vem.

Um dos primeiros nomes a ser apresentado foi o de Noel Gallagher e logo aí tomei a decisão de ir ao primeiro dia. Depois, veio a confirmação de Florence and The Machine, que inicialmente por si só não me convenceu a comprar o passe, e eu que estive para a ver quando fui ao Optimus Alive 2012 ver os The Cure. Mas depois vieram os Blur e aí tudo mudou. Para mim era “obrigatório” ir ver o génio dos Oasis e os Blur e como saía mais barato comprar o passe para os três dias do que dois bilhetes, um para cada dia, acabei por me decidir na aquisição do pack especial para todo o festival. E assim, para além dos nomes que me levam a estar presente na edição deste ano do Super Bock Super Rock, poderei assistir também a outros concertos que me interessam, nomeadamente de, já atrás referido, Florence and The Machine, Sting, Franz Ferdinand, Sérgio Godinho, infelizmente não a solo mas acompanhado com o decadente Jorge Palma.

Lá estarei, de 16 a 18 de julho, no Parque das Nações, para, pela primeira vez, estar presente em todos os dias de um festival, exatamente naquele que para mim apresenta o melhor cartaz este ano.

Texto por João Catarino

As melodias de quatro acordeões ecoaram música ‘contemporânea’ com Danças Ocultas

O grupo musical português Danças Ocultas subiu ao palco do grande Auditório do CCB, no passado dia 5 de Maio, com a Orquestra Filarmonia das Beiras e como convidados Rodrigo Leão, Dead Combo e Carminho, para um momento musical mágico com os vários géneros musicais e instrumentais.

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Com a sala praticamente cheia, Danças Ocultas trouxeram aos portugueses algo diferente do habitual em relação ao instrumento acordeão. Com a orquestra Filarmonia das Beiras a abrir o espetáculo, começou logo por animar os espectadores com muita música jovial. Com luzes a iluminar somente o palco e a restante sala na escuridão da curiosidade, entraram os quatro músicos com os seus acordeões, que receberam de imediato calorosas palmas.

Melodias diferentes em cada acordeão se espalhavam, mas em poucos segundos que se tornavam numa só melodia ‘dançarina’, juntamente com a sonoridade das cordas da orquestra.

Após algumas músicas, Rodrigo Leão entrou em palco, por duas vezes, para partilhar a sua arte no piano com a arte que estava em palco. Assim tocaram todos em conjunto “Tardes de Bolonha” e “Danças d’Alba”. A orquestDSC_6868ra tocava, os acordeões lançavam e ‘dançavam’ notas por toda a sala, quando, do nada, entraram em palco os Dead Combo. O público não resistiu e bateu palmas, contudo a música continuava. Assim se sucedeu, num bis, na segunda parte do concerto, com a música misteriosa, ‘louca’ e deliciosa de Dead Combo.

De tranquilidade e harmonia (luzes azuis) passámos, num click, para paixão e energia (luzes vermelhas), com a calorosa voz da fadista portuguesa Carminho. A fadista deslumbrou todos os presentes com a sua voz num momento único e representativo do nosso país: Fado.

MaiDSC_7001s músicas surgiram naquela noite. Com mais um toque de passo de dança, com repetições, com muita música e com muitos sorrisos de satisfação por parte do público e dos músicos, que não só proporcionaram uma grande noite como espalharam muita alegria e muita coisa nova para os ouvidos dos portugueses.

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Texto por: Laura Pinheiro

Fotos de: Ricardo Gomes e Tiago Martinho

Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda se apresentam em Lisboa

Dois íncones da nova geração do samba se unem no disco Bossa Negra. O cantor Diogo Nogueira e o instrumentista Hamilton de Holanda pisam em Portugal para apresentar um projeto cheio de swing e que oscila entre o samba, o choro e o jazz.

O alinhamento conta com originais e releituras de mestres da música brasileira, como Arlindo Cruz, João Nogueira (pai de Diogo e morto em 2000 em decorrência de um infarto), Caetano Veloso, Pixinguinha, entre outros. Entre as músicas conhecidas pelo grande público estão “Desde que o Samba é Samba” e “O que é o Amor”.

Para dar início à noite de 12 de Maio, às 21h30, no Teatro Tivoli estará o grupo de samba Sacundeia. Logo depois, entra em palco o duo brasileiro, que promete interpretações numa “estética particular pela voz de Diogo Nogueira e o bandolim de dez cordas de Hamilton de Holanda”.

Texto por: Mayra Russo

Sufjan Stevens – Carrie & Lowell

Sufjan Stevens

“Carrie & Lowell”
Asthmatic Kitty, 2015
19/20

“Isto não é o meu projecto artístico. Isto é a minha vida.”, Carrie & Lowell nas palavras de Sufjan Stevens, o seu último álbum, uma obra esmagadora de rara beleza. E o que dizer de um álbum que soma uma vida? Como se conhece e se ama uma mãe ausente depois da sua morte? Carrie & Lowell com os seus arranjos de guitarras e teclados lo-fi suaves, delicadamente entrelaçados com elementos electrónicos, é curiosamente o álbum menos majestoso em termos musicais do talentoso multi-instrumentista Sufjan Stevens, porque aqui interessam as palavras e essas são de uma força inabalável, um murro no estômago que abraçamos sem medo. Neste conjunto canções de embalar para o sono profundo da morte, perdemos e reencontramos a nossa mãe, e nosso amor é incondicional.

Texto por: Vera Brito

U2 – “The Electric Co.”

Em 1980 os U2 lançam o seu primeiro LP, Boy, o qual contava com o tema “The Electric Co.”, uma canção com uma pujança e uma força tremenda. Os quatro irlandeses em sintonia, como sempre, fazem um tema poderoso, com uma guitarra agressiva, uma secção rítmica que leva tudo atrás e uma interpretação de Bono que leva ainda mais longe a força deste tema. Ao vivo, o poder desta canção ainda fica mais à vista.

Aqui fica “The Electric Co.”, interpretada pelos portugueses THE FLY Tributo U2.

texto por João Catarino