Entrevista a Francis Dale a propósito do seu novo EP

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Criado por Diogo Ribeiro, Francis Dale é o nome de um projeto feito em Portugal, mas com os olhos postos no mundo. A necessidade de Diogo em compor músicas com total liberdade e sem qualquer espécie de restrições, terá sido a razão principal para a sua criação.

Francis Dale lança agora o seu segundo EP de originais, homónimo, que tal como aconteceu no primeiro registo, o EP Lost In Finite de 2014, é composto na integra por originais de sua autoria. Isto apesar de já ter feito versões de músicas de outros, com um sucesso considerável no Youtube.

Este seu segundo EP é distribuído apenas em formato digital, tal como já acontecera no primeiro, mas desta vez há a opção do formato físico, limitado a 50 exemplares numerados e assinados, a pensar nos colecionadores e concebido pelo artista plástico João Pedro Fonseca.

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O Notas à Solta conversou com Francis Dale e ficou a saber mais sobre este músico lisboeta.

Acabaste de lançar o teu segundo EP, mas muitos ainda não te conhecem. Fala-nos um pouco do que tem sido a tua carreira e o teu trabalho.

O meu trabalho passa por tentar acalmar as minhas dúvidas e inquietações. O que na maior parte do tempo passa por criar e modelar sons. É esse o meu trabalho.

A minha, ainda breve, carreira resume-se a isso. Dois registos de curta duração que debatem a finitude e o constrangimento.

Apresentaste-te fazendo versões de músicas de outros acompanhado de uma guitarra, mas isso depois não se refletiu nos temas compostos por ti. Porque é a guitarra não está mais presente nos dois EPs?

Isso é algo com que me debato todos os dias. Não necessariamente aplicado à guitarra, mas ao lugar das coisas no geral. Tudo tem o seu espaço. O meu desígnio é descobri-lo. Até agora tenho sentido que o espaço que a guitarra deve ter neste projecto é apenas este. Nem mais. Nem menos.

Para quando o lançamento de um LP? Ou consideras que esse formato já está desatualizado?

Em 2016 lançarei um LP. Espero poder revelar mais sobre isso em breve.

O que te parece esta nova forma de se fazer música, em que a lógica de banda parece ter ficado para trás e se fazem projetos com uma ou duas pessoas, como é o teu caso?

Pessoalmente, creio não estar numa posição de afirmar que existe uma doutrina dominante, apenas por me faltar distanciamento histórico e razão.

Existe, no entanto, um lado romântico em mim que acredita que as grandes bandas, os grandes discos e os grandes livros continuam a ter validade. Que continua a ser possível a existência, em 2015, de projectos que possam alcançar uma magnitude histórica de uns Pink Floyd. No entanto acredito que vivemos num tempo em que a individualização é a regra. Seja ela artística ou existencial.

Não acredito que haja, necessariamente, uma supremacia entre a banda ou o indivíduo. Há, possivelmente, uma democratização e emancipação, talvez muito graças à tecnologia, que permite a co-existência de projectos colectivos e individuais, ou a existência de bandas e DJ’s como headliners de festivais.

Como abordas a questão de atualmente muita da música que se faz ser feita por computadores e não por instrumentos tradicionais?

Com tranquilidade. Nunca a máquina substituirá o humano.

Como serão no futuro os teus espetáculos ao vivo?

Gostava que pudessem reflectir esta busca incessante por um caminho desconhecido neste vazio. Imenso.

Texto por João Catarino

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