O renascimento de uma banda

SIMPLE MINDS ARRASAM NUM COLISEU DOS RECREIOS CHEIO QUE NEM UM OVO

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No início dos anos 80, os Simple Minds eram muitas vezes comparados aos U2. A imprensa musical sempre gostou destas “lutas” entre bandas, que têm algo em comum entre si. A verdade é que a partir de certa altura dessa mesma década, os U2 dispararam e a banda escocesa ficou para trás.

No entanto, os Simple Minds ainda conseguem manter-se interessantes até meio da década de 90, com os álbuns “Real Life” (1991) e “Good News from the Next World” (1995). A partir daí, passaram quase só a ser considerados pelos seus concertos, que viviam acima de tudo dos velhos clássicos. A certa altura… nem isso. Era com alguma tristeza que tínhamos conhecimento da realização de concertos dos Simple Minds em locais como Monsanto, Freeport ou Feira de Cantanhede. Com isto, a ideia que nos transmitiam era que estavam acabados e restava-lhes, talvez numa lógica de sobrevivência financeira, dizer que sim a todas as ofertas de concertos e venderem-se como uma banda que teve muito sucesso, principalmente nos anos 80.

Poucos já esperariam que se desse um “renascimento”, mas foi o que aconteceu com o lançamento do seu mais recente disco – Big Music, lançado em novembro de 2014. Sem dúvida o seu melhor álbum de há muito tempo. Os Simple Minds voltaram a apresentar um bom conjunto de músicas, com uma energia e uma garra que os caracterizou até certa altura.

Assim, foi com naturalidade que voltou a haver um grande interesse em relação a estes escoceses, nomeadamente com a tour que promove o mais recente disco – Big Music Tour – e que arrancou no dia 7 em Lisboa, num Coliseu dos Recreios a abarrotar.

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Concertos nos coliseus de Lisboa e Porto esgotados com antecedência provam que volta a haver um enorme entusiasmo à volta dos Simple Minds… e eles não desiludiram. Em Lisboa, com muitos estrangeiros presentes, vindos de diferentes países da Europa, mas também da Austrália, e com uma média de idades próxima dos cinquenta anos, Jim Kerr e companhia arrasaram por completo e provaram que ao vivo continuam a ser uma das melhores bandas de sempre.

Sabendo da qualidade do seu mais recente disco, os Simple Minds apostaram numa set-list onde muitos dos seus temas foram tocados… e bem recebidos, com especial destaque para “Let The Day Begin”, que abriu o concerto, “Blindfolded” e “Honest Town”. Os grandes clássicos não poderiam faltar, mas é sem dúvida de realçar que o concerto viveu muito do álbum mais recente e não só dos temas que fizeram sucesso nos anos 80 e inícios de 90. Surpreendente foi a versão de “Riders On The Storm” dos The Doors, com que a banda encerrou o concerto. Depois desse momento, Jim Kerr ainda mostrou os seus dotes de dançarino, sozinho no centro do palco, para só depois o abandonar.

A única coisa a realçar pela negativa é Jim Kerr, que apesar de continuar a ter uma grande voz e um enorme prazer em estar em palco, já não tem a força física e a dinâmica de movimentos de outros tempos. Não é ao acaso que houve um intervalo a meio do concerto e que por vezes as vocalistas de apoio, uma na primeira parte, outra na segunda, as duas no encore, lá estavam para dar uma “ajuda”, como também para cantar algumas coisas enquanto o vocalista descansava. É também de destacar que já há muito tempo que os Simple Minds não eram acompanhados ao vivo por vozes femininas de apoio, o que só valoriza as suas atuações.

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Foi um extraordinário concerto e uma noite memorável. De certeza que ninguém saiu aborrecido do Coliseu de Lisboa.

texto por João Catarino

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