Qual o artista/banda português que mais acompanham neste momento? Falem um pouco sobre ele(s).

É difícil escolher só um ou dois artistas/bandas portugueses que acompanhe hoje em dia. Há tanta coisa a acontecer, nos mais variados géneros, que qualquer escolha nunca fará jus ao momento incrível que a música portuguesa vive actualmente (não, não me canso de o repetir).

Se quisermos fazer uma divisão por géneros, vemos o ressurgimento do hardcore com nomes como More Than a Thousand, Devil in Me ou For The Glory a fazerem furor não só por cá mas também um pouco por toda a Europa; a electrónica a seguir um caminho parecido, com Batida, Moullinex (e Xinobi), Buraka Som Sistema ou Beatbombers a saltar fronteiras cada vez com mais facilidade; e o fado, como sempre, a viajar por aí, agora por novas vozes, como as de António Zambujo, Carminho, Ana Moura ou Ricardo Ribeiro. Do lado de cá da fronteira, temos um pouco de tudo. A folk de Brass Wires Orchestra, Golden Slumbers ou Time for T; o rock de Keep Razors Sharp, Capitão Fausto, Linda Martini ou Wraygunn; a soul de The Black Mamba, HMB ou Cais Sodré Funk Conection; nomes como Valete, Sam The Kid, 5-30 ou Allen Halloween no hip hop… a lista, como já disse, é bastante longa. Serve esta pequena amostra para vos demonstrar que o que não falta é variedade.

Uma das coisas mais interessantes deste tempo que hoje se vive na música portuguesa é o facto de ela já não nascer só na capital do império. O Porto continua a formar músicos de grande categoria (We Trust, Best Youth, Throes + The Shine, doismileoito, Salto, Miguel Araújo, Capicua), ali não muito longe, em Barcelos, surgem cada vez mais e interessantes projectos (The Glockenwise (e Duquesa), Black Bombaim, indignu, La La Ressonance, Killimanjaro) muito apoiados também pela Lovers & Lollypops, editora independente barcelense. Outra editora, a Omnichord Records (em Leiria) é casa de muitos belos projectos da cidade do Lis (Bússola, Nice Weather For Ducks, Born a Lion), e, mais abaixo, há também nas Caldas da Rainha muita boa música para dar ao país (Los Waves, Memória de Peixe, Cave Story). Infelizmente, pouco de relevante (pelo menos de que tenha conhecimento) se faz pelo Sul, mas se a tendência de crescimento da música nacional se mantiver, com certeza que não tardarão a aparecer projectos.

Custa-me acabar assim, sem vos falar de Samuel Úria e toda a família FlorCaveira/Amor Fúria (que nos apresentou a B Fachada, Manuel Fúria & Os Náufragos, Os Pontos Negros, João Coração, Diabo na Cruz ou Alex D’Alva Teixeira), ou em tantos outros grupos que não consigo enquadrar em nenhuma destas caixas (Minta & the Brook Trout, Tape Junk (e They’re Heading West), Bruno Pernadas, Real Combo Lisbonense, TV Rural, You Can’t Win, Charlie Brown, Noiserv, Sensible Soccers, Éme, e muitos outros). Mas, se com tanto nome não souberem por onde começar, proponho o épico “Os Capitães da Areia A Bordo do Apolo 70” o novo disco d’Os Capitães da Areia que, para além de um belo e divertido álbum, é um bom exemplo da originalidade (e saudável insanidade?) que alimenta esta nova música portuguesa.

Concluindo, se não consigo sequer juntar aqui todos os artistas ou bandas cujo percurso acompanho com alguma atenção, seria muito injusto tentar destacar só um ou dois. Assim, fica o apelo do costume: ouçam a música que por cá se faz, prometo que vale a pena, por muito que a televisão, a rádio e a imprensa teimem em ignorá-la.

Texto por Teresa Colaço

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