Guilty Pleasures

“Só vou te contar porque você já é de casa”: os gostos musicais quase sempre escondidos

A citação que intitula este texto define exatamente o desafio proposto, e é de uma música da cantora e filha do mestre Gilberto Gil, Preta Gil (que muitos se envergonham de assumir que se jogam na “balada” com as canções dela). Assumo sem preliminares e conversa fiada, A-D-O-R-O a Preta!

Ela é apenas uma das muitas cantoras e bandas que costumam estar escondidas no iPod, no telemóvel, ou em qualquer sítio, contanto que esteja bem longe dos olhares alheios – até porque o que o povo gosta é de pagar de “cult”. E se tem um ritmo que está lá em baixo na lista dos géneros musicais “cultos o suficiente para curtir a página no facebook e compartilhar videoclips”, esse, sem sombra de dúvida, é o funk carioca.

Nascido nas favelas do Rio de Janeiro na década de 80, muito pouco se tem sobre a história e o que representa o funk brasileiro. Complemente diferente do estilo que marcou a trajetória de James Brown no cenário musical, as únicas características que os mantêm ligados é o facto de serem ritmos dançantes e de terem origem na periferia.

Dos bailes funks para as discotecas mais cobiçadas da Zona Sul do Rio de Janeiro e estrangeiras, esse género tem tido amantes por todo o lado, mas que, quase sempre, escondem o amor pelo ritmo cheio de suingue vindo das comunidades cariocas (como se nomeia atualmente as “favelas” sendo politicamente correto). Hoje, claramente, o funk “desceu morro e ganhou o asfalto”, como se diz no Brasil. O programa televisivo Furacão 2000 foi de grande ajuda na divulgação.

O estilo ganhou tamanha dimensão que já existem subgéneros. Tem o funk mais conhecido, intitulado de “proibidão” (batidas electrónicas dançantes e letras com teor sexual, que apelam à beleza e ao corpo ou feministas) sendo representado por artistas como Mr. Catra, os Hawaianos e a extinta Gaiola das Popozudas.

Tem o funk melody (faixas mais lentas e com letras românticas), com cantores como o MC Marcinho e a antiga dupla Claudinho & Buchecha.

O mais atual, difundido no subúrbio paulistano, o funk ostentação (o que muda em relação ao mais conhecido é a letra ter sempre ligação com o facto de ostentar dinheiro e luxo), com MCs novos no ramo, como o MC Guimê e a MC Pocahontas.

Para ganhar uma maior dimensão, o funk carioca tem se misturado ao pop, como é o caso das cantoras Anitta, Ludmilla e até a Valesca Popozuda.

O que muitos se envergonham e guardam a sete chaves, eu assumo de cara lavada. O funk carioca é o meu ritmo preferido quando o assunto é dançar. Sinceramente, não tenho problemas em dizer isso. O que ouço em casa, ouço em festas, na frente de amigos e familiares. Aliás, é o género musical que as pessoas mais costumam dizer que é a minha “cara”, sem saber que em casa ouço de MPB a rock. E, como toda mera mortal, dou uma passadinha pelo funk e danço em frente ao espelho, é claro. Inspirada pela música antiga, do início dos anos 2000, do Amilcka e Chocolate, não só concordo como assino em baixo e compartilho do mesmo pensamento: “é som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”.

Texto por Mayra Russo

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