Músico(s)/banda(s) portuguesas que mais vos têm marcado

Confesso que nos dias de hoje estou mais atenta à música portuguesa do que há alguns anos atrás ou talvez esteja agora mais atenta a toda a música em geral, mas acredito que nunca existiram em Portugal tão bons e variados projectos musicais como agora e talvez 40 anos após o 25 de Abril este país viva ainda um despertar cultural.

A música portuguesa acompanhou-me desde cedo, cresci sabendo de cor músicas dos Resistência, Sétima Legião, Ritual Tejo, Rádio Macau e tantos outros, a música Dunas dos GNR é a única que sei acompanhar os acordes numa guitarra, já perdi a conta das vezes que vi ao vivo os Xutos e Pontapés, desde semanas académicas a festas da terra e fiquei triste quando os Silence 4 terminaram mas o seu recente reencontro não me despertou atenção. Estas são bandas impossíveis de dissociar de um determinado período da minha vida, mas que já não ocupam o mesmo espaço na música que oiço nos dias de hoje.
Neste momento sou fã de vários projectos portugueses em distintos géneros musicais e para ser justa vou referir apenas aqueles que primeiro me vieram à cabeça quando pensei neste desafio.
Na música electrónica já não passo sem Moullinex ou Xinobi desde que ouvi o set de ambos para a Boiler Room. O Manel Cruz é dos meus letristas preferidos e tem aquele toque de midas porque não existe projecto seu que não seja singular, como os Pluto, os Supernada ou os eternos Ornatos Violeta, projectos que mesmo que se esgotem em si nos deixam sempre à espera do próximo. Adoro como conseguimos encontrar nas músicas de António Zambujo influências que vão desde os ritmos brasileiros da bossa nova e do samba, passando pela música africana, sem esquecer o cante alentejano e o fado, por onde aliás começou, e o seu espectáculo no Coliseu em Lisboa é um dos que guardo na minha lista de concertos especiais. As músicas de Linda Martini dão-me aquela garra para pegar em dias difíceis e colocá-los a meu favor. Os Dead Combo fazem-me sentir como se tivesse vivido toda a minha vida em Lisboa. Noiserv, We Trust, You Can’t Win Charlie Brown, são artistas que em português ou inglês abriram caminhos que antes pareciam fechados à música portuguesa. Diabo na Cruz ou Deolinda aproximam-me das nossas raízes mais tradicionais mas com um cheiro a novo. E ainda descobertas mais recentes para mim como Bruno Pernadas ou Zorra que são promessas de que este período áureo na música em Portugal está para durar. E a lista poderia continuar…
E tudo isto acontece num país que atravessa tempos difíceis, onde a cultura continua a ser encarada como algo supérfluo e não essencial. Há que portanto louvar aqueles que aos momentos de crise souberam roubar criatividade e encontrar meios para construir a sua arte.
texto por Vera Brito
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