Músico(s)/banda(s) portuguesas que mais vos têm marcado

Apesar de nos tempos de infância e adolescência me ter sentido mais ligado aos artistas anglo-saxónicos, sempre prestei atenção à música que se fazia entre portas, sem delimitação de géneros, havendo uns quantos músicos portugueses que foram decisivos para o meu crescimento e continuam a ser importantes na minha vida.

Começo pelo David Fonseca, que para mim está presente desde sempre. Ouvia-o em criança ainda no tempo dos Silence 4, principalmente com o Silence Becomes It, e foram deles as primeiras canções que trauteava atabalhoadamente ainda sem conhecimentos sólidos de inglês. O início da sua carreira a solo serve de fio condutor à minha introdução e cultivo de interesse por outros artistas portugueses, mas nunca nenhum com a mesma estima e ligação emocional com que tenho acompanhado a carreira do David. Acerca dos álbuns não posso opinar com conhecimento da causa, mas sei os singles de trás para a frente e gosto particularmente dos da era do Our Hearts Will Beat as One, o segundo álbum.

Sigo para Ana Moura, que há 7 anos atrás me fez ver o fado com outros olhos. Corria o tempo de Para Além da Saudade e temas como “Os Búzios” e “O Fado da Procura” mostraram-me que o fado não se resumia apenas àquela expressão de dor e xaile negro ao peito com a qual nada queria ter a ver. Desde então que a acompanho devotamente, olhando com especial admiração para a sua última obra discográfica, Desfado, em que ousou desconstruir a sonoridade sem a desvirtuar, interpretando-a à luz da nova geração de autores portugueses. Tudo nela me cativa, desde a presença serena, ao reportório, àquele timbre magnífico. Sé me falta mesmo vê-la em concerto, um desejo antigo que já esteve mais longe de se concretizar.

Termino com os Mesa, projecto portuense que durante 8 anos foi comandado por João Pedro Coimbra e Mónica Ferraz, que em 2012 “cedeu o seu lugar” a uma nova vocalista. Chegaram até mim em 2004 com “Luz Vaga” e foram ficando pela força de canções como “Arrefece”, “Boca do Mundo” ou “Estrela Carente”. Acho que foram um dos melhores projectos pop/rock da década passada e tive muita pena quando seguiram caminhos distintos, não sendo propriamente fã dos seus trabalhos actuais. Juntos, faziam magia. Felizmente que há vícios que teimam em não passar.

texto por Gonçalo Dias

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