Bandas e músicos portugueses a cantar em Inglês… qual a tua opinião?

A minha relação com a música portuguesa nunca foi muito pacífica. Pelo menos até há uns anos atrás. Sempre preferi a música que vinha de fora em detrimento da que se fazia no nosso país, em boa verdade porque também não sabia como fazê-la chegar até mim. E a que chegava nem sempre era digna de atenção. Estava a precisar de crescer e descobrir novos mundos, claramente.

Inicialmente fascinavam-me mais os artistas que cantavam em inglês – The Gift, David Fonseca, Blasted Mechanism ou Fingertips – precisamente porque estavam mais próximos do meu universo musical. Mas também acalentava interesse por projectos como os Clã, Mesa, Toranja e Da Weasel. Basicamente, tudo o que tinha tempo de antena na MTV Portugal quando esta ainda era um canal de música.

Considero que um músico é livre de cantar na língua em que bem entender, da forma que melhor se conseguir expressar. Se o fizer de coração, creio que a música se materializará em algo muito bom pois o artista está a ser fiel a si próprio. Mesmo cantando em inglês, francês, grego ou mandarim. Agora se o fizer noutra língua que não a de Camões por razões menos nobres, acho que soará a falso e forçado, para além de ser de um superficialismo repugnante. Portanto, pessoalmente não me incomoda, desde que seja pelas razões certas.

Dessa forma, um artista que cante em inglês será tão patriota quanto um que cante na língua mãe, pois ambos estão a fazer a música que gostam e a engrandecer o património musical nacional à sua maneira. Olhe-se para os exemplos de Buraka Som Sistema,  Legendary Tigerman, António Zambujo ou Ana Moura, cada um no seu estilo e dialecto mas todos eles casos de extremo sucesso no que toca a levar o nome de Portugal mais além.

Hoje em dia já não há desculpas para não apoiar ou escutar música portuguesa que, como é sabido, atravessa uma das fases mais ricas e entusiasmantes de que há memória. Chega-nos de tantas formas e feitios, que a língua em que é feita há muito deveria ter deixado de ser um entrave à sua audição, partilha e comemoração.

E só quando deixarmos de dar importância a aspectos como esse é que poderemos passar a valorizar-nos mais enquanto povo e a levar o país para a frente, pela força dos talentos e ideias que nele residem.

texto por Gonçalo Dias

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